Imirante
Flávio Bolsonaro divulga carta após ir para os EUA e se declara 'presidente eleito'
<p><strong>BRASIL </strong>– O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se declara “presidente eleito do Brasil” e afirma que vai liderar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos.</p><p>No documento, o parlamentar acusa autoridades brasileiras de perseguição política e alega que houve fraude nas eleições presidenciais. Ele não apresenta provas para sustentar as acusações.</p><ul><li><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9fyb7ADTOGmgNGLn3n"><strong>Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp</strong></a></li></ul><p>Flávio também afirma que deixou o país para proteger a família e continuar atuando politicamente no exterior. Na carta, agradece ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento.</p><h2>Flávio Bolsonaro acusa autoridades brasileiras</h2><p>Ao longo do texto, o senador questiona o resultado do segundo turno das eleições, realizado no domingo (25), e contesta decisões relacionadas ao horário de votação. Ele também acusa autoridades de abuso de poder político e econômico durante a campanha de Lula e Geraldo Alckmin (PSB).</p><p>Flávio afirma que a reação das instituições às suas contestações representa perseguição política. Segundo ele, a intenção seria impedir sua atuação como liderança da oposição.</p><p>O senador também diz que não havia mandado de prisão contra ele e que deixou o Brasil por considerar que sua família estaria sob ameaça. As declarações fazem parte da versão apresentada pelo próprio parlamentar na carta.</p><h2>Senador diz que liderará oposição dos Estados Unidos</h2><p>Na carta, Flávio afirma que pretende se comunicar regularmente com os brasileiros e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que classifica como pacíficos e legítimos.</p><p>O parlamentar também cita políticos e lideranças históricas que atuaram fora de seus países, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, para justificar sua decisão de continuar a atividade política no exterior.</p><p>Ao final do documento, ele afirma que não abandonou os brasileiros e que pretende seguir na oposição ao governo Lula.</p><h2>Saída do Brasil</h2><p>Flávio Bolsonaro chegou a Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles.</p><p>A família deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular com destino aos Estados Unidos, com uma escala no Equador.</p><p>A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal, no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. De acordo com o texto publicado pelo Metrópoles, Flávio não cumpriu o prazo estabelecido pela decisão.</p><p><strong>Leia a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro:</strong></p><p><i>“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.</i></p><p><i>Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.</i></p><p><i>Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.</i></p><p><i>Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível.</i></p><p><i>E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.</i></p><p><i>A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime.</i></p><p><i>Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.</i></p><p><i>Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado.</i></p><p><i>A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.</i></p><p><i>Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.</i></p><p><i>Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.</i></p><p><i>Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança.</i></p><p><i>Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.</i></p><p><i>Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.</i></p><p><i>Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York.</i></p><p><i>Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.</i></p><p><i>Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil.</i></p><p><i>Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania.</i></p><p><i>Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.</i></p><p><i>Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado.</i></p><p><i>Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.</i></p><p><i>À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.</i></p><p><i>Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política.</i></p><p><i>Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.</i></p><p><i>E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil.</i></p><p><i>Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil.</i></p><p><i>Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.</i></p><p><i>Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.</i></p><p><i>Que Deus abençoe o Brasil.</i></p><p><i>Flávio Bolsonaro”.</i></p>
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