Brasil de Fato — Geral
28/10/2026 20:46

Janela Internacional de Cinema do Recife reúne 31 filmes no Cine São Luiz a partir desta quarta-feira (28); confira a programação

Começa nesta quarta-feira (28) a 17ª edição do Janela Internacional de Cinema do Recife. Até o domingo (1º de novembro), o evento exibe 31 filmes, entre curtas e longas-metragens, além de uma série, em uma programação que aproxima produções pernambucanas, obras internacionais inéditas e clássicos do cinema restaurados. Todas as sessões acontecem no Cinema São Luiz, com ingressos por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), com venda antecipada através do perfil do cinema no Instagram ou pelo site da Fundarpe.

Em formato especial este ano, com todas as sessões concentradas na mesma sala, o evento reúne trabalhos de diferentes épocas e cinematografias. A curadoria é assinada pelo premiado diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho e pelo programador, crítico e pesquisador Pedro Azevedo Moreira, que buscaram estabelecer diálogos entre filmes clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros.

A produção audiovisual de Pernambuco ganha destaque nesta edição, com 15 títulos do estado lançados que foram este ano. Entre eles estão “À Margem do Rio”, de Matheus Farias e Enock Carvalho; “Yellow Cake”, de Tiago Melo; “Coração de Lona”, de Tuca Siqueira; “Vivo 76”, de Lírio Ferreira; “Cão Sem Plumas”, de Camila Valença; e a série “Delegado”, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca. Parte dessas obras circulou recentemente por festivais como Locarno (Suíça), Biarritz (França), Brasília, Rio de Janeiro e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A programação também presta homenagem ao escritor e cineasta pernambucano Jomard Muniz de Britto, que morreu recentemente. O público poderá assistir a duas obras do realizador, “Amanhecendo” (1981), codirigida com Rucker Vieira; e “Imitação da Vida” (1978). Os curtas serão exibidos em cópias restauradas a partir dos materiais originais em Super-8, em uma parceria com a Cinelimite. Outra restauração em destaque é “That’s a Lero Lero” (1994), de Lírio Ferreira e Amin Stepple. Realizado pelo próprio festival, sob supervisão de Débora Butruce, o curta aborda a passagem do cineasta norte-americano Orson Welles (de “Cidadão Kane”) pelo Recife, na década de 1940.

Entre os clássicos nacionais, estão ainda “Maracatu, Maracatus” (1994), de Marcelo Gomes, em nova restauração 4K; e “Luciana, a comerciária” (1976), de Mozart Cintra, restaurado pela Cinemateca Brasileira. Este último terá uma sessão especial acompanhada de uma entrevista inédita, gravada em 2003 por Kleber Mendonça Filho com Celeida Cintra, esposa, codiretora e responsável por preservar uma cópia do filme durante cinco décadas. No circuito internacional, um dos destaques é “Os Demônios” (The Devils, de 1971), clássico do horror dirigido pelo britânico Ken Russell nos anos 1970. A sessão será antecedida por “Melk” (2026), curta-metragem inédito do cineasta belga Filip Anthonissen.

A seleção estrangeira inclui títulos que chegam ao Recife após passagens por circuitos internacionais e outros que terão suas primeiras exibições no continente. É o caso de “Tutti Frutti”, média-metragem inédito da cineasta francesa Céline Sciamma, encomendado pelo Centre Pompidou, que terá sua primeira sessão na América Latina durante o Janela.

Também integra a programação “Tudo pode ser visto”, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, que terá sua segunda exibição na América Latina. A lista internacional reúne ainda “Once Upon a Time in Harlem”, de William Greaves e David Greaves; “La Gradiva”, de Marine Atlan; “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, de Bruno Santamaría Razo; “Club Kid”, de Jordan Firstman; “Paper Tiger”, de James Gray; e “Iron Boy”, de Louis Clichy.

Em uma parceria inédita com o New York Film Festival, o Janela promove uma sessão especial da mostra Spotlight Shorts, com curtas de realizadores de diferentes países. A seleção inclui “Masao Adachi Takes a Passport Photo”, de Kamal Aljafari; “Una Película Robada”, de Camilo Restrepo; “Torino Shadow”, de Jia Zhangke; “South of Tehran”, de Kleber Mendonça Filho; e “Pier Paolo Pasolini – Agnès Varda – New York – 1967”, de Agnès Varda.

Para Kleber Mendonça Filho, a concentração da programação em um único espaço contribui para a experiência do público. “Essa talvez seja a programação mais compacta do Janela e, até por isso, está muito concentrada. Todos os dias são sessões muito fortes. O fato de todas as sessões serem no São Luiz cria um clima charmoso, de um grupo de pessoas que estão compartilhando filmes marcantes, atuais e de arquivo, como o ‘That’s a Lero Lero’, de Lírio Ferreira e Amim Stepple, que foi uma restauração que o Janela fez, e ‘Os Demônios’, de Ken Russell”, afirma o diretor artístico.

Pedro Azevedo Moreira destaca a construção das sessões a partir das relações entre obras de diferentes origens e períodos. “Arriscamos criar relações intuitivas entre os filmes. A inclusão dos curtas foi bastante processual nesse sentido, íamos entendendo o que fazia sentido com o quê, na medida em que a grade ia sendo construída”, explica.

Além das sessões, o festival mantém a Janela Crítica, iniciativa formativa presente desde a primeira edição, em 2008. Neste ano, serão realizadas as oficinas “O Corpo Negro no Cinema” e “O Cinema com Raiva”, coordenadas pelo cineasta, escritor e roteirista Dodô Azevedo. As atividades são voltadas a pessoas interessadas na prática da crítica cinematográfica.

O público também poderá visitar o Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano (Cena) e a Sala Imersiva Geraldo Pinho, instalados, respectivamente, no primeiro e no segundo andar do Cinema São Luiz. O Cena reúne objetos de época, videoinstalações, arquivos de filmes, entrevistas com personalidades da cultura pernambucana, além de cordéis, partituras e fotografias. O espaço propõe um percurso pela história do cinema produzido no estado. Já a Sala Imersiva Geraldo Pinho homenageia o programador que marcou a história do cinema brasileiro e propõe uma reflexão sobre a importância das salas de rua.

O Janela Internacional de Cinema do Recife é realizado pela Cinemascópio, com patrocínio da Fundação Itaú e apoio da Cinemateca Brasileira. A direção artística é de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, e a produção fica a cargo de Dora Amorim e Juliana Soares.

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