Apenas duas pesquisas eleitorais mostraram Lula na frente de Flávio no 2º turno; veja dados
Na véspera das eleições, pesquisas mostravam Flávio Bolsonaro na frente com diferença de dois pontos; veja quais divulgações passaram perto do resultado
Por Júlia Honorato
Notícia
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Atualizado às 09:21, 28/10/2026 | Publicado às 09:14, 28/10/2026
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Resumo
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Maioria das pesquisas eleitorais errou o resultado do segundo turno presidencial.
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A Vox Brasil foi a pesquisa que mais se aproximou do resultado final.
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O CEO da AtlasIntel criticou metodologias de grandes institutos.
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Pesquisas eleitorais são parâmetros de opinião, não previsões exatas.
Antes do resultado de cada turno eleitoral, as pesquisas divulgadas servem como uma referência do possível cenário.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) saiu na frente com 47% dos votos. Entretanto, as pesquisas — divulgadas antes do resultado das urnas — mostravam Lula (PT) na frente, com a diferença de dois pontos na média.
Até o segundo, ocorrido em 25 de outubro, a maioria das publicações mostrava o contrário: o senador na frente do petista. No entanto, Lula foi reeleito como Presidente da República com 51,79% dos votos.
Isso mostra que as pesquisas eleitorais servem apenas para ter um parâmetro da opinião dos eleitores e estimar um resultado, mas vale lembrar que o que é publicado não interfere nas urnas.
Qual pesquisa chegou mais perto do resultado do 2º turno?
Para o segundo turno, que definiu quem seria eleito para assumir em 2027, apenas duas pesquisas mostravam Lula na frente de Flávio. Ambos apontavam pouca diferença entre si.
Das duas, a Vox Brasil foi a que mais se aproximou do resultado eleitoral, quando apontou 50,60% para o petista. A segunda, que foi a Colectta, cravou nos 50,30%.
Assim, a maioria das principais pesquisas eleitorais para o segundo turno errou em suas projeções de resultado. Um exemplo de instituição que errou foi a Gerp, que foi a que chegou mais perto no 1º turno.
A empresa cravou 52% para o candidato do PL e 48% para o do PT neste turno. Para o anterior, marcou 46% e 44%, na respectiva ordem de candidatos, quando as urnas tiveram a diferença de um ponto a mais para cada.
Veja pesquisas para o segundo turno por ordem de proximidade
- Vox Brasil - Lula (50,6%) x Flávio Bolsonaro (49,4%)
- Colectta - Lula (50,3%) x Flávio Bolsonaro (49,7%)
- Futura/100% Cidades - Flávio Bolsonaro (50,1%) x Lula (49,9%)
- Ipespe/Abrapel - Flávio Bolsonaro (50,5%) x Lula (49,5%)
- BTG/Nexus - Flávio Bolsonaro (50,5%) x Lula (49,5%)
- Indexa/Broadcast - Flávio Bolsonaro (50,6%) x Lula (49,4%)
- CNT/MDA - Flávio Bolsonaro (50,7%) x Lula (49,3%)
- AtlasIntel/Bloomberg - Flávio Bolsonaro (50,8%) x Lula (49,2%)
- Datafolha - Flávio Bolsonaro (51%) x Lula (49%)
- Quaest - Flávio Bolsonaro (51%) x Lula (49%)
- PoderData/Aya - Flávio Bolsonaro (51%) x Lula (49%)
- Instituto França - Flávio Bolsonaro (51,4%) x Lula (48,6%)
- Veritá - Flávio Bolsonaro (51,56%) x Lula (48,44%)
- Gerp - Flávio Bolsonaro (52%) x Lula (48%)
- Real Time Big Data - Flávio Bolsonaro (52%) x Lula (48%)
- Alfa Inteligência - Flávio Bolsonaro (52%) x Lula (48%)
CEO da AtlasIntel critica a própria instituição após resultado
Antes mesmo do resultado do 2º turno, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, fez uma publicação falando sobre como as pesquisas eleitorais estavam com "medo de subestimar Flávio".
Parabéns á Futura, que teve mais coragem que a AtlasIntel, Quaest e DataFolha juntas.— Andrei Roman (@andrei__roman) October 25, 2026
A Futura também mostrou Flávio na frente, mas com pouca diferença. Enquanto isso, o CEO criticou a própria empresa por "optar por um período de coleta de 5 dias na pesquisa de véspera".
Segundo ele, isso fez com que a tendência de afunilamento da corrida fosse maior. "AtlasIntel também pecou, mas não na metodologia", escreveu.
Sobre a Quaest e Datafolha, consideradas grandes referências nas pesquisas eleitorais, diz que foram utilizados "modelos errôneos de eleitor provável".
"O nítido aumento da mobilização lulista elevava na margem de comparecimento desse grupo", explicou. A aspa é confirmada pelo fato de que as taxas de abstenção foram as menores em 20 anos, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No fim das contas, o medo de subestimar Flávio Bolsonaro — diante da perseguição judicial constante do TSE e da promessa de CPI das pesquisas — fez todos os grandes institutos superestimarem seu desempenho na margem.
Que isso fique de lição para todos nós. A justiça brasileira precisa, além do impeachment de vários ministros, de uma reforma e despolitização profunda. E a paixão política nunca deve se manifestar em pressões indevidas sobre os institutos de pesquisa.
Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, no X (@andrei__roman)
O que são pesquisas eleitorais?
As pesquisas eleitorais foram criadas com o objetivo de acompanhar a corrida eleitoral dos candidatos em disputa e entender a opinião pública.
Os dados são coletados por meio de entrevistas feitas por telefone ou pessoalmente. O que for obtido pode ter compreensão nacional, estadual ou municipal, por exemplo.
Além disso, a amostra de informações pode ser feita por características da população, como sexo, idade, escolaridade e renda.
As pessoas que participam não são voluntárias. Quem participa é escolhido aleatoriamente, garantindo a representatividade da pesquisa.
Assim como toda pesquisa por amostragem, há uma margem de erro que é calculada com uma fórmula matemática. Ainda há o fato de que, quanto maior for a amostra, menor é esta margem.
Os institutos responsáveis ainda podem entrevistar pessoas que dizem votar em um candidato, mas, no fim, acabam não comparecendo às urnas. Por esse motivo, as pesquisas não são uma previsão, mas uma análise de cenário.
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