JustiçaEntenda como Renato Cariani desviou 12 toneladas de insumos para drogas Cariani era dono de uma empresa de insumos e viabilizava "vendas" para empresas falsas que direcionava os produtos para o tráfico, diz MPSP
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. O pedido consta das alegações finais apresentadas na quarta-feira (21/10). Em caso de condenação, a pena pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Cariani responde ao processo em liberdade.
MP-SP pede condenação de Cariani e outros réus
As alegações finais são a última manifestação do MP em um processo, após a produção de provas e antes da sentença. Além de Cariani, a promotoria pede a condenação de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.
Segundo o documento, Fábio seria responsável pela venda dos produtos químicos e o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína. Rodrigo exerceria funções ligadas à movimentação de recursos ilícitos, “realizando depósitos em espécie e promovendo operações para dar aparência de licitude ao produto dos crimes”.
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa, e de Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.
Pena pode chegar a 51 anos de prisão
Caso a justiça aceite integralmente o pedido, cada réu poderá receber de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas. O cálculo considera associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos e 59 de lavagem de dinheiro. A pena final depende do reconhecimento de continuidade delitiva, com aumento de dois terços, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Detalhes da acusação e defesa
Segundo os promotores, por 59 vezes a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de Cariani sediada em Diadema, simulou a venda de produtos a empresas que não tinham feito pedidos, e o próprio Cariani teria criado pedidos fictícios para justificar os desvios.
O Gaeco afirma que mensagens extraídas do celular dele indicam relação próxima com um policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas. Segundo o órgão, Cariani recebia informações sobre diligências, opinava sobre situações e chegava a sugerir empresas que poderiam ser fiscalizadas, o que “evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes”.
“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga”, diz o Gaeco. Em 11 de abril de 2019, consultado pelo policial sobre o controle de determinada substância, Cariani teria respondido que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”.
O que diz a defesa
Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou:
“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa”.
Segundo ele, a defesa responderá a cada tese do MP e demonstrará, “com base na prova produzida ao longo da instrução”, que elas são improcedentes. “Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou
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