TEM FUJÃO QUE RASGOU HOJEDo Re-Pa ao futebol mundial: relembre os ‘fujões da bola’ que abandonaram o campo em momentos de tensão Histórias de equipes que abandonaram o campo no futebol, desde clássicos regionais até finais continentais, revelam protestos e decisões inusitadas.
Em tempos nos quais fugir do país, cruzar fronteiras e encontrar uma saída para situações adversas dominam o debate público, o futebol também oferece histórias de equipes que decidiram abandonar o campo. No Pará, o clássico entre Remo e Paysandu guarda episódios que ajudam a ilustrar esse comportamento.
Clássico Re-Pa e os abandonos de campo
A rivalidade entre Remo e Paysandu vai muito além dos resultados dentro das quatro linhas. Em 1993, durante o I Torneio Pará-Ceará, o Paysandu deixou o gramado após uma marcação de pênalti considerada questionável. A decisão deu ao Remo a vitória por 1 a 0, conforme registros históricos da imprensa paraense. O jogo entrou para o folclore do clássico e mostrou que, no futebol, a insatisfação com a arbitragem pode levar uma equipe a romper com a disputa.
Três anos depois, em 26 de maio de 1996, o Paysandu voltou a protagonizar um episódio semelhante. Na ocasião, três jogadores bicolores já haviam sido expulsos quando a equipe deixou o campo, aos 39 minutos. Os acontecimentos fazem parte de uma fase marcante da rivalidade paraense, em que decisões de arbitragem e tensões competitivas ultrapassaram os limites do jogo.
Botafogo abandonou partida para preservar invencibilidade
Em março de 1978, o Botafogo de Zagallo protagonizou outro caso emblemático. Em amistoso contra o Uberlândia, o time carioca deixou o gramado após a marcação de um pênalti nos minutos finais, quando o placar estava empatado em 2 a 2. A equipe temia perder a invencibilidade que construía naquele período.
A saída impediu a conclusão normal da partida e preservou, naquele momento, a sequência invicta alvinegra. Décadas depois, a partida continua lembrada como um dos casos mais curiosos do futebol brasileiro, mostrando como a pressão por resultados e recordes pode influenciar decisões dentro de campo.
Tigre deixou a final da Sul-Americana após confusão
Em 2012, uma decisão continental terminou de maneira inesperada. O Tigre, da Argentina, não retornou para o segundo tempo da final da Copa Sul-Americana contra o São Paulo, disputada no Morumbi. A equipe brasileira vencia por 2 a 0 quando uma confusão envolvendo jogadores e integrantes da segurança interrompeu o confronto.
Os argentinos alegaram falta de segurança e relataram ameaças no vestiário, enquanto a Polícia Militar afirmou não ter constatado a presença de armas. Sem o retorno do Tigre ao gramado, a arbitragem encerrou a partida e o São Paulo ficou com o título. O caso permanece marcado pelas versões divergentes sobre o tumulto e pelo desfecho incomum de uma final internacional.
Protesto do Fenerbahçe durou pouco mais de um minuto
Em abril de 2024, o Fenerbahçe levou o protesto institucional a outro nível na Supercopa da Turquia. O clube escalou uma equipe sub-19 para enfrentar o rival Galatasaray e retirou os jogadores do gramado pouco depois do início da partida, cumprindo uma decisão de boicote.
A medida foi uma reação a decisões da federação e a episódios de violência contra atletas do clube. Com a saída do adversário, o Galatasaray foi declarado vencedor por 3 a 0. O Fenerbahçe acabou multado pela federação turca, demonstrando que abandonar uma partida também pode trazer consequências esportivas e financeiras.
Gol nos acréscimos provocou saída de equipe na Série D
No futebol brasileiro, o Maracanã, do Ceará, também abandonou temporariamente o gramado em meio a uma polêmica. Em junho de 2024, a equipe enfrentava o Sousa, da Paraíba, pela Série D do Campeonato Brasileiro, quando um gol nos acréscimos gerou revolta entre os visitantes.
O árbitro inicialmente anulou o lance, mas mudou a decisão após conversar com o assistente e validou o gol da vitória do Sousa por 3 a 2. Inconformados, jogadores do Maracanã deixaram o campo antes do apito final, e a arbitragem aguardou o retorno da equipe para concluir a partida.
Abandono de campo como declaração
Cada cena dos fujões do mundo da bola mostram que o abandono de campo pode ter diferentes motivações: protesto contra a arbitragem, alegações de falta de segurança, preservação de recordes ou enfrentamento institucional. Em cada situação, a saída do gramado deixa de ser apenas um gesto esportivo e passa a representar uma tomada de posição, com consequências que podem ultrapassar o resultado.
Às vezes, a tentativa de escapar de um cenário desfavorável acaba se tornando o acontecimento mais lembrado da partida, porque, dentro ou fora das quatro linhas, sair de cena também deixa marcas.
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