Namorada de Sastre é retirada de júri após se manifestar em depoimento
Giovanna Pinheiro Silva fez sinal de desaprovação com a cabeça, enquanto a testemunha ocular Nathalia Santanna Lima falava
28/10/2026 21:00
, atualizado 28/10/2026 21:30

São Paulo — A namorada de Fernando Sastre, motorista da Porsche envolvido em acidente que matou um motorista de aplicativo na Avenida Salim Farah Maluf, em São Paulo, em 2024, precisou ser retirada do júri do empresário durante o depoimento de uma das testemunhas da acusação. Giovanna Pinheiro Silva fez um sinal de desaprovação com a cabeça, enquanto a testemunha ocular Nathalia Santanna Viana Lima falava perante aos jurados.
Nathalia estava em um carro com a irmã e um amigo, quando testemunhou a batida que matou o motorista Ornaldo Silva Viana, de 52 anos, em 31 de março daquele ano. Ela foi uma das primeiras pessoas a prestar socorro aos envolvidos.
Em depoimento, a testemunha afirmou que tentou socorrer Ornaldo, mas não conseguiu abrir a porta do carro do motorista de aplicativo, um Renault Sandero branco. Por isso, foi verificar se o condutor e o passageiro da Porsche, Fernando e o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, estavam bem.
Pouco tempo depois, segundo Nathalia, chegaram ao local do acidente Giovanna Pinheiro Silva e Juliana de Toledo Simões, à época, namoradas de Sastre e Rocha, respectivamente.
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“Quando as meninas chegam, a preocupação delas era sair com eles do acidente”, disse a testemunha ocular. Nesse momento, Giovanna faz um sinal de negativo com a cabeça.
A acusação, então, pede à juíza para que a ex-namorada de Sastre seja retirada do plenário. A Promotoria diz que, além de Giovanna não ter comparecido para prestar depoimento, ainda estaria se manifestando quando outras testemunhas eram ouvidas. Por isso, pediu que ela fosse penalizada com uma multa de 15 salários mínimos.
A defesa do réu se manifesta e diz que já havia avisado a magistrada da desistência de Giovanna. A jovem constava no rol de testemunhas da defesa, mas por um erro do Judiciário, apareceu na pauta do julgamento como testemunha da acusação. Pediu ainda que a multa a Giovanna Pinheiro Silva não fosse aplicada.
Ao analisar os pedidos, a juíza de direito Melanie Liesenberg decidiu pela retirada de Giovanna do plenário. Já quanto à multa, disse que só decidia sobre a aplicação ou não ao fim do julgamento.
O tio de Fernando Sastre, Marcelo Sastre Andrade, desistiu de prestar depoimento. O júri voltará a ser realizado nesta quinta-feira (29/10).
Acidente com Porsche
- Na madrugada de 31 de março de 2024, Fernando Sastre, então com 24 anos, dirigia um Porsche 911 pela Avenida Salim Farah Maluf, na zona leste de São Paulo.
- Segundo testemunhas, o empresário tentou fazer uma ultrapassagem em alta velocidade e bateu na traseira de um Renault Sandero.
- O Sandero era dirigido por Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, que trabalhava como motorista de aplicativo. Ele ficou gravemente ferido após a batida.
- Ornaldo foi levado ao Hospital Municipal do Tatuapé, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu. A causa da morte foi registrada como traumatismos múltiplos.
- Após a batida, Fernando deixou o local do acidente. O caso foi investigado pela polícia e, posteriormente, o empresário se tornou réu.
- Fernando está preso desde maio de 2024.
Homicídio
Fernando Sastre Filho é réu por homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima. Além da morte de Ornaldo, outra vítima do acidente foi o estudante Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava de carona no Porsche. Marcus fraturou quatro costelas, precisou ser hospitalizado e perdeu o baço. Ele foi internado, em decorrência do acidente, duas vezes.


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Motorista do Porsche esteve na unidade policial para prestar depoimento
Reprodução
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Fernando Sastre de Andrade Filho, acusado de homicídio após provocar um acidente com seu Porsche em alta velocidade
Reprodução
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O empresário Fernando Sastre Filho, 24 anos, durante entrevista ao Fantástico, da TV Globo
Reprodução/TV Globo
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Empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, o "motorista do Porsche" em foto no sistema prisional. Ele pode ter a história contada na 2ª temporada de Tremembé
Reprodução/SAP
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Empresário Fernando Sastre de Andrade Filho sai do 30º DP pela porta da frente
Felipe Resk/Metrópoles
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Acompanhado da mãe, Fernando Sastre de Andrade Filho se apresentou à delegacia em 1º de abril de 2024
Reprodução
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Fernando Sastre de Andrade Filho estava desaparecido
Reprodução
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Dianteira de carro de luxo ficou completamente destruída
Divulgação/Polícia Civil
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Asfalto ficou com marcas de pneus após acidente, ocorrido em alta velocidade
Divulgação/Polícia Civil
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Carro da vítima teve a traseira destruída
Divulgação/Polícia Civil
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Motorista do Renault Sandero morreu durante atendimento hospitalar
Divulgação/Polícia Civil
Mesmo com sinais de embriaguez, Fernando Sastre Filho recebeu permissão dos PMs que atenderam à ocorrência para ir embora, sem fazer o teste do bafômetro. Os agentes responsáveis pela liberação indevida também foram alvo de investigação.
Como publicado pelo Metrópoles, a câmera corporal da PM Dayse Aparecida Cardoso Romão mostra que ela explica, ao telefone, os motivos para liberar, sem escolta, o empresário, logo após ele provocar o acidente fatal (assista abaixo).
As imagens das câmeras corporais dos PMs que atenderam à ocorrência mostram o momento em que Fernando Sastre é liberado do local do acidente, junto da mãe, sob a justificativa de que iria procurar atendimento médico, o que não aconteceu.
Investigação
Laudo do Instituto de Criminalística apontou que a velocidade média do Porsche era de 156 km/h. Quando se apresentou à polícia, contudo, mais de 36 horas após o acidente, o empresário disse que estava “um pouco acima da velocidade máxima permitida”, que é de 50 km/h.
À polícia, o amigo que estava no Porsche disse que Fernando Filho havia ingerido bebida alcoólica antes, contrariando o depoimento do empresário.
Antes do acidente, os amigos e suas respectivas namoradas foram a um restaurante, onde o grupo consumiu nove drinques, e depois a uma casa de pôquer, que funciona no sistema open bar.
A defesa de Fernando Sastre não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
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