ECONOMIA Por que a Bolsa cai após eleição? Especialista explica reação do mercado
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no último domingo, 25, provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro. No primeiro pregão após o resultado das urnas, na segunda-feira, 26, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O movimento levou à interrupção temporária das negociações pela primeira vez em mais de seis anos.
O dólar também registrou forte alta, avançando 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,40. A turbulência foi influenciada pela mudança de expectativas dos investidores em relação ao resultado eleitoral e pelas incertezas sobre os rumos da política econômica do país.
Tudo sobre Economia em primeira mão!Para entender o que provocou a queda, por que o mercado reagiu positivamente após o primeiro turno e quando a Bolsa pode voltar a se estabilizar, o portal A TARDE ouviu o economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), Edval Landulfo.
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Segundo o especialista, a reação é resultado de um movimento de ajuste das expectativas dos investidores, que precisam rever suas estratégias diante de um cenário diferente daquele considerado antes da votação.
“Essa reação do mercado financeiro após o resultado dessas eleições presidenciais reflete um movimento clássico de ajuste de expectativas e reprecificação de ativos”, explica.

Por que a Bolsa caiu após a reeleição de Lula?
De acordo com Landulfo, três fatores ajudam a explicar a reação negativa do mercado:
- a diferença entre o resultado eleitoral e as expectativas de parte dos investidores,
- as incertezas sobre a política fiscal
- e a movimentação de grandes fundos de investimento.
Antes do segundo turno, pesquisas eleitorais e projeções de mercado indicavam uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com a vitória do petista, investidores que apostavam em outro resultado precisaram rever suas posições.
Quando o resultado final confirmou a vitória de Lula, os investidores tiveram de ajustar rapidamente suas posições e projeções de modelos econômicos afirma o economista
Outro ponto é a preocupação com as contas públicas. Segundo Landulfo, o mercado acompanha os gastos do governo, o nível de endividamento e as medidas que podem influenciar a inflação e os juros.
“A sinalização da continuidade renova o receio de manutenção de políticas fiscais expansionistas”, avalia.
Na prática, quando os investidores consideram que há maior risco fiscal, podem exigir retornos maiores para aplicar recursos no país. Esse movimento influencia os juros futuros e pode pressionar o preço das ações negociadas na Bolsa.
Por que a Bolsa subiu após o primeiro turno?
A reação após o primeiro turno seguiu uma lógica semelhante, mas em direção contrária. Naquela etapa da eleição, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, resultado que alimentou expectativas favoráveis entre investidores que associavam uma eventual vitória do candidato a mudanças no modelo de conduzir a economia.
Segundo Landulfo, parte do mercado demonstrava preferência por propostas relacionadas à agenda liberal, como privatizações, reformas administrativas e controle dos gastos públicos.
“Tradicionalmente, investidores de renda variável tendem a favorecer panoramas econômicos alinhados a essas diretrizes liberais”, explica.
A composição do Congresso Nacional também influencia essas expectativas. O desempenho de partidos de centro e de direita nas eleições legislativas pode levar investidores a projetar maior controle sobre os gastos públicos e resistência a aumentos de impostos.
O economista ressalta, porém, que essas reações refletem expectativas sobre as medidas que poderão ser adotadas, e não a confirmação de que elas serão implementadas.
A queda da Bolsa é um movimento normal após eleições?
As oscilações em períodos eleitorais não são incomuns. O mercado financeiro reage às expectativas sobre as políticas econômicas, à composição do Legislativo e às perspectivas para os juros e as contas públicas.
Landulfo explica que, além dos fatores econômicos, movimentos especulativos e operações automatizadas de negociação podem intensificar essa variação nos primeiros pregões após uma eleição.
“Mais do que o pânico, o movimento exige prudência”, afirma.
O economista recomenda que investidores considerem os fundamentos das empresas, seus objetivos financeiros e o próprio perfil de risco antes de tomar decisões. Segundo ele, quedas expressivas podem abrir oportunidades para quem investe no longo prazo, desde que a avaliação dos ativos seja feita com cuidado.
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Quando a Bolsa deve voltar a se estabilizar?
Não há uma data definida para a estabilização do mercado. Conforme Landulfo, a recuperação dependerá de sinais concretos sobre a condução da economia nos próximos meses.
O primeiro fator é a definição da equipe econômica do governo, que poderá indicar quais serão as prioridades e as diretrizes fiscais da próxima gestão.
Outro ponto importante é a relação entre o Executivo e o Congresso Nacional. A tramitação do Orçamento e a capacidade de articulação política podem oferecer maior clareza sobre os gastos públicos e a viabilidade das medidas econômicas.
“Historicamente, movimentos de forte liquidação pós-eleitoral tendem a arrefecer conforme as incertezas políticas são substituídas pelas definições práticas do governo”, conclui o economista.
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