Após se declarar presidente em carta, Flávio volta atrás e se chama de 'líder do Brasil'
BRASÍLIA - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma nova versão de sua carta à população brasileira nesta quarta-feira (28/10), após ter se autointitulado presidente do Brasil em uma manifestação anterior. No texto atualizado, o parlamentar adota um discurso voltado à liderança da oposição, afirma que não fugiu do país e sustenta que deixou o território brasileiro por motivos de segurança.
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A nova versão do documento não apresenta Flávio como presidente da República. Em vez disso, o senador afirma que pretende continuar sua atuação política nos Estados Unidos, de onde promete liderar a oposição ao governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", escreveu.
Nova versão retira referência à Presidência
A mudança ocorre após a repercussão da versão anterior da carta, na qual Flávio teria se apresentado como presidente do Brasil, apesar de ter sido derrotado no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25/10).
No novo documento, o senador deixa de reivindicar a Presidência e passa a defender sua atuação como líder político fora do país.
Flávio também dirige uma mensagem aos parlamentares e governadores que apoiaram sua candidatura, especialmente ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial.
"Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr", afirmou.
CARTA À NAÇÃO BRASILEIRA 🇧🇷 28.10.26 https://t.co/QqOGZuF8G0
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 28, 2026
Flávio nega fuga e acusa perseguição política
Na carta atualizada, o senador também rebate informações de que teria fugido do Brasil após a derrota eleitoral e a adoção de medidas judiciais contra ele.
Flávio afirma que não pretendia deixar o país, mas que decidiu viajar diante do que considera uma perseguição política contra sua família.
"Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado", declarou.
O parlamentar acusa integrantes do Judiciário de tentar impedir sua atuação política e afirma que as medidas adotadas contra ele fazem parte de uma tentativa de enfraquecer a oposição.
As acusações não são acompanhadas de provas no documento.
Senador volta a questionar resultado das eleições
Mesmo após alterar o posicionamento sobre sua atuação política, Flávio mantém as acusações de suposta fraude eleitoral.
O senador questiona o crescimento da votação de Lula no segundo turno e acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não ter esclarecido irregularidades que, segundo ele, teriam ocorrido durante o processo eleitoral.
Flávio também defende a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin, alegando abuso de poder político e econômico durante a campanha.
A carta, no entanto, não apresenta elementos que comprovem fraude na votação.
Flávio agradece a Trump e diz estar em segurança
Outro ponto da nova manifestação é o agradecimento ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao governo norte-americano pelo acolhimento de sua família.
Flávio afirma que está em segurança em território americano e que pretende continuar sua atuação política mesmo distante do Brasil.
"Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil", escreveu.
Na parte final, o senador compara sua situação à de lideranças políticas que atuaram no exílio e pede à comunidade internacional que acompanhe os acontecimentos no Brasil.
A nova versão da carta marca uma mudança na forma como Flávio Bolsonaro apresenta seu papel político após a derrota eleitoral. Sem voltar a se declarar presidente, o senador passa a defender publicamente sua posição como líder da oposição a partir dos Estados Unidos.
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