Os prós e contras de Pacheco no retorno à lista de Lula para o STF
Alcolumbre é defensor antigo da ideia de ver Pacheco no STF. O nome do agora ministro do TCU voltou a ser debatido para ocupar uma cadeira no STF em meio ao apoio de Lula e das bancadas do PT para a reeleição de Alcolumbre, na presidência do Senado, e Hugo Motta (Republicanos-PB), no comando da Câmara dos Deputados, em manobra que envolve também a análise de projetos de interesse do Planalto nas Casas Legislativas.
Conforme soube a reportagem, uma possível indicação de Pacheco por Lula para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso, que anunciou aposentadoria em outubro de 2025, seria bem aceita entre senadores - até mesmo entre quadros do PL, principais opositores ao governo federal. A ideia, segundo interlocutores, é trabalhar para que o nome de Rodrigo Pacheco seja apresentado no Congresso antes do recesso parlamentar para as festas de final de ano.
A estratégia de viabilizar a escolha para apreciação do Senado ainda neste ano mira evitar uma resistência que pode ser maior, a partir de fevereiro de 2027, quando o PL terá 29 senadores, a maior bancada da Casa. A ideia, segundo interlocutores, é evitar que o governo enfrente novamente um revés, como na recusa ao nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, que teve a indicação feita por Lula rejeitada no Congresso em abril.
À época, Alcolumbre trabalhou para que Pacheco fosse o indicado pelo presidente, fato que não se viabilizou já que Lula desejava e insistiu para ter o então senador como candidato ao governo de Minas Gerais. Rodrigo Pacheco, após dizer que abandonaria a política depois de ter “perdido a vaga” para Jorge Messias, chegou a se filiar ao PSB e indicar uma entrada na disputa. Ele, no entanto, frustrou os planos do petista e anunciou que não disputaria a eleição de outubro. Tempo depois, foi indicado pelo Congresso para o Tribunal de Contas da União.
Boa receptividade, mas há ressalvas
Entre pares de Pacheco, o entendimento é unânime de que caso Lula deseje fazer a indicação, o agora ministro do TCU não resistirá ao convite. Em abril, durante agenda em Betim com Lula e em meio às especulações sobre concorrer ao governo mineiro, Pacheco chegou a tratar uma ida para o STF como “página virada e bem assimilada”. Na mesma ocasião, porém, tratou a ideia como algo “muito honroso”.
O nome de Pacheco, conforme soube a reportagem, tem boa aceitação entre ministros do governo Lula e também é bem avaliado até mesmo por integrantes do STF, como os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. Há ainda um entendimento de que o senador não entrará, caso indicado e aprovado para ir ao STF, buscando uma espécie de caça às bruxas na Corte, mas sendo favorável a correções internas.
Neste ponto, interlocutores relembram que enquanto presidente do Senado, em 2023, Pacheco abraçou pautas como a defesa de mandatos fixos a ministros do Supremo, limitação às decisões monocráticas e fixação de idade e regras para indicação de ministros. Discussões do tipo entraram na pauta de governo e oposição, em meio a crise desencadeada pela relação de ministros do STF com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Por outro lado, interlocutores ouvidos pela reportagem não tratam a indicação de Pacheco por Lula ao STF como certa. Para estas pessoas, a negativa de Pacheco em concorrer ao governo de Minas, após deixar Lula e o PT em ‘banho-maria’ por quase um ano, e a rejeição a Jorge Messias no Senado podem fazer com o que o nome de Pacheco perca força.
No caso envolvendo a negativa a Jorge Messias, Alcolumbre é apontado como o principal articulador da derrota de Lula no Senado, justamente em função do desejo do presidente do Congresso em ver Pacheco no STF. Após o episódio, integrantes do próprio PT passaram a suspeitar se Rodrigo Pacheco atuou junto a Alcolumbre para negar a ida de Messias ao STF. “Sobre a indicação do presidente da República houve uma decisão soberana do Senado Federal e que precisa ser respeitada”, comentou o mineiro à época.
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