Após fala de Flávio, Nunes Marques reafirma vitória de Lula
BRASÍLIA - Após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se autoproclamar “líder do Brasil” ao desembarcar nos Estados Unidos, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, reiterou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo. O ministro se posicionou na noite desta quarta-feira (28/10)
Em nota da Presidência do TSE, Nunes Marques reafirmou o compromisso da Justiça Eleitoral com “a vontade soberana do eleitorado”, que, acrescentou, “legitimamente escolheu seus representantes”. “No último domingo, foram realizadas as eleições mais inclusivas da história da República brasileira”, destacou.
O presidente também ressaltou que as eleições ocorreram “dentro da mais absoluta normalidade” e sob “ditames legais e constitucionais”. “Com empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”, disse.
O ministro reconheceu a “instabilidade” provocada pela prorrogação extraordinária do horário de votação por duas horas, até às 19h, mas afirmou que o TSE entregou um “pleito com segurança”. “Informo que todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos”, acrescentou.
Nunes Marques já havia admitido as “dificuldades” provocadas pela liminar do ministro Cristiano Zanin quando proclamou a vitória de Lula, mas minimizou a extensão e pontuou que o TSE contornou os problemas. “Graças aos esforços administrativos do tribunal e da nossa equipe técnica, conseguimos contornar todas essas dificuldades”, pontuou, no último domingo.
Em uma carta divulgada há pouco, Flávio criticou a postura de Nunes Marques, cuja indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi fiada pelo próprio senador. “Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, questionou.
Após ameaçar pedir a anulação da eleição e recuar, o recém-candidato à Presidência se referiu à derrota, sem quaisquer provas, como uma “fraude eleitoral”. “A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula (Cristiano Zanin) permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de dez milhões de votos do 1º para o 2º turno”, apontou.
Flávio repetiu o ex-deputado venezuelano Juan Guaidó ao se autoproclamar líder do Brasil. Em 2019, após perder a eleição para o então presidente Nicolás Maduro, Guaidó se autointitulou como presidente da Venezuela. À época, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a reconhecê-lo como presidente interino do país.
O senador fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos após descumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes. O ministro atendeu à Polícia Federal (PF) e cancelou os passaportes de Flávio por risco de fuga, pois o candidato derrotado é investigado por possível lavagem de dinheiro e evasão de divisas por ter usufruído da conta bancária de uma offshore do amigo Willer Tomaz.
Flávio deixou o Brasil através da província de Misiones, Argentina, na fronteira com o estado do Paraná. Lá, o senador embarcou em um voo privado no aeroporto de Puerto Iguazú ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas rumo a Orlando, no estado da Flórida. O jato executivo decolou às 0h21 e pousou nos Estados Unidos próximo às 10h30.
A PF ainda investiga as circunstâncias da fuga do candidato à Presidência derrotado. Em nota à imprensa, a polícia rebateu o governo Javier Milei e afirmou que não há quaisquer registros oficiais da saída de Flávio do Brasil por postos de controle. O país vizinho havia informado que o senador cruzou a fronteira por terra, na Ponte da Fraternidade, em Foz do Iguaçu (PR).
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
