Grife Victor Hugo, afundada em crise bilionária, fecha loja icônica na Avenida Rio Branco
A grife carioca Victor Hugo, que viveu seu auge nos anos 1990 e 2000, encerrou as atividades de uma de suas lojas mais icônicas, a da Avenida Rio Branco, no Centro, nesta semana. A unidade era um dos últimos endereços da marca na cidade e funcionava em um casarão tombado, remanescente da época da abertura da antiga Avenida Central. O fechamento ocorre em meio à crise financeira do grupo, que enfrenta um processo de falência na Justiça do Rio desde fevereiro.
O letreiro, inclusive, foi retirado no início desta semana. Construído durante a abertura da via, no início do século XX, o casarão sobreviveu à verticalização que mudou o perfil da Rio Branco. O prédio pertenceu à Santa Casa de Misericórdia antes de ser vendido a um investidor de Minas Gerais.
No início de outubro, a loja, que era ponto de encontro de figurinhas da Alerj e do empresariado do Centro, fez um saldão com descontos em bolsas e outros artigos. Com o fechamento, resta apenas uma loja da grife no Rio, no BarraShopping.
Dívida ultrapassa R$ 1,2 bilhão
Em fevereiro deste ano, a Justiça do Rio aceitou um pedido de falência contra três empresas ligadas ao grupo, entre elas a Brasilcraft. A ação foi movida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e pela Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro. As dívidas cobradas ultrapassam R$ 1,2 bilhão, dos quais cerca de R$ 900 milhões são devidos à União e mais de R$ 355 milhões ao estado.
As procuradorias acusam o grupo de usar a inadimplência como estratégia de negócio. O processo aponta ainda supostas transferências da marca para empresas offshore no Uruguai e em Belize, além de movimentações patrimoniais entre companhias ligadas à rede que, segundo a acusação, buscariam dificultar a cobrança das dívidas.
Desde a fundação da empresa, em 1980, foram registradas pelo menos dez mudanças societárias.
Marca nasceu em Ipanema e já teve mais de 70 lojas
A marca nasceu em meados dos anos 1970, quando o uruguaio Victor Hugo Alves Gonzales passou a vender acessórios artesanais de porta em porta e na Feira Hippie de Ipanema. Em 1975, abriu uma loja na então Rua Montenegro, hoje Rua Vinícius de Moraes, com bolsas e carteiras de couro.
A grife cresceu e chegou a endereços de alto padrão no Rio e em São Paulo. Nos anos 80, já contava com 12 lojas. Na década seguinte, atingiu seu auge, com mais de 70 unidades no país e reconhecimento nacional como uma das grifes de luxo brasileiras.
As bolsas de couro, o acabamento sofisticado e o monograma metálico com as iniciais VH ajudaram a consolidar a marca. Os produtos tinham preços inferiores aos das grandes grifes europeias, o que ampliou o acesso a artigos associados ao mercado de luxo.
No Rio, a Victor Hugo também teve lojas no RioSul, no Shopping Tijuca, no NorteShopping e no Nova América, todas já fechadas.
A dificuldade de renovar o design e manter o apelo entre os consumidores também é apontada como um dos fatores para a perda de relevância.
Mesmo fora das vitrines da maior parte do país, as bolsas ainda aparecem em brechós e plataformas de revenda.
Jornalista. Morador da Tijuca. De olho nas movimentações do mercado imobiliário carioca. ✉️ [email protected]
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
