Listas pedindo boicotes a empresários 'petistas' estão sendo divulgadas no estado do Rio de Janeiro
Após o resultado da eleição do último domingo (25/10), algumas listas pedindo boicotes a empresários que votaram no presidente Lula estão circulando no Rio de Janeiro.
Uma delas, enviada por Whatsapp, mostra 50 empresas em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Entre elas, grandes marcas como Magazine Luiza e TIM.
Também na Região Serrana, em Teresópolis, o advogado Klaus Fins sugeriu que os comerciantes e empresários locais apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) marcassem as portas de suas lojas com uma estrela vermelha.
A sugestão remete a práticas nazistas de exclusão econômica de judeus e motivou a Prefeitura de Teresópolis a divulgar uma nota contra tentativas de “intimidação e perseguição política”.
No texto, a Prefeitura ressaltou que a convivência democrática exige o respeito às diferenças e que a escolha política é uma liberdade individual que deve ser preservada sem medo de represálias econômicas ou profissionais.
A nota enfatiza, ainda, que o comércio e os trabalhadores locais têm papel essencial no desenvolvimento da cidade e que divergências partidárias não justificam hostilidades nem tentativas de prejuízo ao setor produtivo.
Em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, a lista espalhada nas redes sociais mencionou 36 empresas. Alguns empresários do município fizeram vídeos em redes sociais comentando a situação.
Caso Índia Amelau
Na última segunda-feira (26/10), a deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de 2026, sugeriu que empresários verifiquem as redes sociais de seus funcionários e considerem a demissão daqueles que manifestaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia seguinte, a Justiça do Trabalho determinou que a deputada estadual eleita não incentive empregadores a discriminar, demitir ou perseguir funcionários por suas convicções políticas. A decisão liminar atendeu parcialmente a um pedido do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), que ajuizou uma Ação Civil Pública após a parlamentar publicar as mensagens nas redes.
Também na terça-feira, Índia Armelau publicou uma nota nas redes sociais declarando que "jamais teve qualquer preconceito contra quem quer que seja".
Recomendações do Ministério Público do Trabalho
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recomenda que "se você presenciar ou sofrer ameaças, constrangimentos, pressões ou perseguições contra trabalhadores por causa de sua orientação política ou de seu voto, denuncie".
A nota pontua, ainda, que "nenhum empregador pode intimidar trabalhadores, ameaçar demissões ou usar sua posição para coagir alguém a votar em determinado candidato".
O link para denúncias é https://mpt.mp.br/assedio-eleitoral.
Em todo o Brasil, o MPT recebeu 1.937 denúncias de assédio eleitoral até a última segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno das eleições. Desse total, 946 ocorreram entre o primeiro e o segundo turnos.
Alerj abre canal de denúncias contra demissão por motivo político
Dani Balbi (PCdoB), presidenta da Comissão de Trabalho, lança central via WhatsApp para receber relatos de assédio e discriminação política no trabalho, com encaminhamento direto ao Ministério Público do Trabalho; iniciativa chega dias depois de a Justiça proibir o Zona Sul de enviar comunicados de teor eleitoral a funcionários
A deputada estadual Dani Balbi (PCdoB), presidenta da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), abriu nesta terça-feira (27) uma central de denúncias para quem sofrer perseguição no emprego por causa do voto, pelo WhatsApp (21) 96432-0325. As queixas recebidas serão encaminhadas diretamente ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
O timing não é por acaso: o gabinete da deputada vem recebendo uma série de reclamações, dias depois de a Justiça do Trabalho do Rio proibir a rede de supermercados Zona Sul de enviar comunicados de teor eleitoral a funcionários. Antes do segundo turno presidencial, a empresa chegou a distribuir carta criticando o “cenário político” do país e defendendo a necessidade de “mudança”. A juíza Cláudia de Abreu Lima Pisco determinou que a rede se retratasse, sob multa diária de R$ 500 mil, por entender que o aviso, vindo do empregador, configura assédio eleitoral.
Para Dani Balbi, uma das razões por trás desse movimento de pressão sobre trabalhadores é a aprovação e o início da implementação do fim da escala 6x1. Para a deputada, o episódio reforça que cabe aos parlamentares fiscalizar esse tipo de prática o ano inteiro, não apenas em período eleitoral.
“O voto é um direito, e a classe trabalhadora não pode ficar refém de patrão que tenta impor sua posição política pela ameaça do desemprego”, disse.
Serviço:
Central de denúncias — Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Alerj
WhatsApp: (21) 96432-0325
Felipe Lucena é jornalista, roteirista, redator, escritor, cronista. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em Curicica. Sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro.
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