Política Política Flávio Bolsonaro recua e retira título de “presidente eleito” de carta após deixar o Brasil Senador viajou com a família para os Estados Unidos após contestar o resultado das urnas sem apresentar provas de fraude; parlamentar acusa Judiciário de perseguição Por Michael Douglas · há 2 horas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou nesta quarta-feira (28) da declaração em que se intitulava o “presidente eleito” do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Em uma segunda versão de uma carta publicada nas redes sociais, o parlamentar substituiu as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”.
A mudança ocorreu horas depois da divulgação do primeiro documento, no qual Flávio contestava o resultado eleitoral, acusava autoridades do Judiciário de envolvimento em uma suposta fraude e defendia a cassação da chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
A publicação foi feita após o senador deixar o Brasil com a família e viajar para os Estados Unidos, de onde afirmou que pretende organizar a oposição ao governo Lula. No texto, Flávio disse estar em segurança em território norte-americano, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, e negou que sua saída do país represente uma fuga.
Da contestação das urnas à mudança no discurso
Na primeira versão da carta, Flávio afirmou que era o “verdadeiro presidente eleito” e classificou como criminosos os responsáveis pelo que chamou de roubo da eleição. O senador também utilizou expressões como “regime de exceção”, “tirania” e “organização criminosa” para atacar o governo e instituições brasileiras.
Na segunda versão, divulgada também em imagens nas redes sociais, o parlamentar alterou o trecho em que reivindicava a Presidência da República. O recuo ocorreu após a repercussão das declarações, que também contrastam com a posição oficial do Partido Liberal (PL). Em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, o partido reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora tenha defendido que questionamentos apresentados sejam esclarecidos.
Após a confirmação do resultado eleitoral, Flávio inicialmente afirmou que pediria a anulação da eleição. Na segunda-feira (26), passou a defender a cassação da chapa de Lula e Alckmin, alegando supostos abusos de poder político e econômico e uso da máquina pública durante a campanha.
Acusações contra a votação
Um dos principais argumentos apresentados por Flávio na carta é a prorrogação do horário de votação no segundo turno. O senador questionou uma decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário por duas horas diante de problemas no transporte de eleitores e de condições climáticas adversas.
Os pedidos de prorrogação foram apresentados pelas campanhas de Lula e do próprio Flávio, embora com abrangências diferentes. A medida foi aplicada a seções eleitorais que ainda estavam em funcionamento.
O parlamentar alegou que a decisão teria permitido uma suposta “impossibilidade matemática” e favorecido Lula. Entretanto, menos de 35 mil votos foram registrados após as 17h, enquanto a diferença entre os candidatos ultrapassou 4,4 milhões de votos.
Lula recebeu aproximadamente 64,2 milhões de votos, contra cerca de 59,8 milhões de Flávio. O TSE confirmou o resultado e afirmou que a eleição transcorreu com segurança, sem fraudes ou inconsistências que comprometessem a legitimidade da votação.
Saída para os Estados Unidos
A viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos passou a integrar o discurso de contestação apresentado pelo senador. Na carta, ele afirma que pretende continuar sua atuação política a partir do exterior e compara sua situação à de figuras históricas que viveram no exílio ou atuaram fora de seus países, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí.
O parlamentar também menciona supostas perseguições contra ele e sua família, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio afirma que medidas judiciais, como a determinação de apreensão de passaportes, fariam parte de uma estratégia para restringir seus direitos políticos.
Na publicação, o senador nega que tenha deixado o país para fugir de eventuais consequências judiciais. Ele sustenta que a viagem representa uma forma de continuar sua atuação política e de mobilizar a oposição brasileira.
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