Em primeira versão da carta, Flávio se autodeclarou 'presidente'
O senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado na eleição presidencial, divulgou sua primeira declaração após chegar aos Estados Unidos e se autodeclarou “o verdadeiro presidente do Brasil”. No texto, ele acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de vencer uma suposta fraude eleitoral, mas não apresentou provas que sustentem as alegações.
Em sua “carta à nação brasileira”, Flávio também agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio. Além disso, afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir do território norte-americano.
“Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito”, declarou o senador, que também classificou o governo brasileiro como um “regime de exceção”.
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Na declaração, Flávio afirmou que houve uma “fraude eleitoral” no segundo turno e questionou a atuação da Justiça brasileira. Entre as alegações, disse que Lula recebeu mais de 10 milhões de votos adicionais em relação ao primeiro turno e contestou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação das 17h para as 19h de domingo (25).
O senador, porém, não apresentou documentos, dados ou evidências que comprovem a suposta fraude. Ele também acusou a chapa de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de abuso de poder político e econômico e defendeu a cassação dos mandatos.
Além disso, Flávio afirmou que a Justiça brasileira estaria sendo usada para perseguir adversários políticos. Ele mencionou medidas judiciais que, segundo sua versão, fariam parte de um roteiro para silenciá-lo, incluindo apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e prisão.
Flávio diz que não fugiu do Brasil
Ao justificar a ida aos Estados Unidos, o senador afirmou que decidiu levar a família para o País por considerar que não teria segurança jurídica no Brasil.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, declarou. Em seguida, disse que pretende continuar atuando politicamente do exterior, pois, segundo ele, não poderia exercer a liderança da oposição caso fosse preso ou censurado.
Flávio também afirmou que não existe mandado de prisão contra ele e negou ter cometido crimes. Na declaração, entretanto, não apresentou documentos que permitam verificar suas afirmações sobre as decisões judiciais que diz enfrentar.
Trump, Milei e líderes exilados
O senador agradeceu diretamente a Trump, ao governo norte-americano e a Milei. Ao se referir ao presidente dos Estados Unidos, elogiou sua atuação em defesa da liberdade de expressão e agradeceu pela recepção no país.
Para justificar a decisão de atuar politicamente de fora do Brasil, Flávio comparou sua situação à de figuras históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também citou lideranças venezuelanas de oposição, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
Na avaliação do senador, esses exemplos demonstrariam que é possível liderar movimentos políticos mesmo fora do País de origem. Ele, porém, não apresentou detalhes sobre eventuais medidas de apoio político ou diplomático dos governos norte-americano e argentino.
Flávio afirmou que pretende manter comunicação regular com os brasileiros e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição. Segundo ele, as ações serão realizadas por meios “pacíficos e legítimos”.
O senador também mencionou o senador Rogério Marinho (PL), a quem chamou de seu candidato à Presidência do Senado, e afirmou que assumirá do exterior um papel de liderança que, segundo ele, parlamentares e governadores não teriam liberdade para exercer no Brasil.
Ao final, Flávio disse que sua mobilização continuará até que o País, em suas palavras, volte a ser livre. A declaração reúne acusações contra o governo e as instituições brasileiras, mas não apresenta provas para sustentar a alegação central de fraude eleitoral.
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