FORA DO BRASIL Aliados de Flávio Bolsonaro em Pernambuco descartam fuga e reforçam narrativa de exílio político
Para aliados, movimento do ex-presidenciável é um exílio estratégico (Foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP)
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, na terça-feira (27), logo após o segundo turno das eleições, em meio a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para entrega de passaportes à Polícia Federal (PF), é tratada por aliados do senador em Pernambuco como resgate político.
Em entrevista ao Diario de Pernambuco, o deputado federal eleito e ex-ministro Gilson Machado Neto (Podemos) e o deputado estadual reeleito Coronel Feitosa (PL) rechaçaram o termo fuga. Para eles, o movimento do ex-presidenciável é um exílio estratégico.
A narrativa dos parlamentares é sustentada pelo curto intervalo entre o encerramento do pleito, realizado no último domingo (25), e a ordem de retenção dos documentos de viagem por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Para o Coronel Feitosa, a rapidez da medida expõe uma suposta fragilidade do processo democrático atual.
"Ele não fugiu do Brasil. Ele é um refugiado (...) Se eu disser que alguém está com vontade de sair e o Estado decreta a prisão de passaporte com base em relato de terceiros, isso não está previsto na Constituição", argumentou o parlamentar.
Com discurso semelhante, Gilson Machado Neto estacou que a permanência de Flávio Bolsonaro no país culminaria no sileciamento do senador e prisão preventiva, comparando-o ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado no Brasil, em 2023.
"A experiência mostra o que aconteceu com o pai, que também foi candidato contra o atual governo [Lula] e acabou preso. Se eu estivesse no lugar do Flávio Bolsonaro, faria o mesmo. O caminho dele aqui era a cadeia", afirmou Machado.
Além disso, os aliados acreditam que a ida de Flávio aos Estados Unidos dará continuidade à oposição ao governo Lula. Questionados sobre o papel que o senador passará a desempenhar no exterior, os deputados apontam que o objetivo é manter a interlocução política "livre de censura" ou restrições de comunicação que, segundo eles, seriam impostas caso o Flávio permanecesse no Brasil.
Ao Diario de Pernambuco, Gilson Machado Neto comparou a saída do ex-presidenciável a figuras políticas como os venezuelanos María Corina Machado, opositora dos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro e ganhadora do Nobel da Paz, e Edmundo González, que vive exilado na Espanha desde 2024. "Não é à toa que os Estados Unidos mandaram resgatar ele aqui no Brasil, como fizeram com Maria Corina, lá na Venezuela", afirmou.
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