Política28 de outubro de 2026Flávio diz que não fugiu do Brasil. “Saí pelo Brasil”, disse
Redação Tribuna do Norte • 28 de outubro de 2026 • 22h34

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou na quarta-feira (28) duas versões de uma carta. Na primeira versão, Flávio se dizia o “verdadeiro presidente eleito” do Brasil após ser derrotado por uma diferença de 4,4 milhões de votos para Luiz Inácio Lula da Silva. Já na segunda, qualificou a si como “líder do Brasil”. Ambas as versões citam, sem provas, a existência de uma fraude nas urnas.
Após a operação de fuga do país, Flávio agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento. O parlamentar desembarcou em Miami, no estado da Flórida, na manhã da quarta-feira.
O candidato derrotado do PL também anunciou que pretende comandar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos, onde está com a família, e prometeu apresentar uma estratégia de mobilização de seus apoiadores nos próximos dias.
Na primeira versão do documento, Flávio registrou: “Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, afirma Flávio no discurso.
Logo depois, Flávio retirou o trecho “presidente eleito” e o substituiu por “líder” do Brasil.
A manifestação por escrito ocorre três dias após a derrota do senador no segundo turno.
Flávio deixou Brasília na terça-feira e seguiu até a fronteira com a Argentina, de onde embarcou em um avião particular com destino ao Equador e, depois, aos Estados Unidos. A saída ocorreu em meio à ofensiva judicial de sua campanha para contestar o resultado das urnas e também após ordem do ministro Alexandre de Moraes para o recolhimento do seu passaporte.
Já em território americano, o senador passou a apresentar sua permanência no exterior como uma forma de continuar atuando politicamente sem o risco de ser preso.
No discurso, Flávio sustenta, sem provas, que o resultado do segundo turno foi fraudado e questiona a decisão de prorrogar o horário de votação até as 19h. O parlamentar acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha e defende a cassação da chapa adversária.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”, afirma.
No domingo, após o resultado das eleições, Flávio afirmou à imprensa não aceitaria o resultado e que pediria a anulação do pleito. O argumento era baseado na decisão de Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação por duas horas, até as 19h, após pedido do PT relacionado à ausência de transporte público na Bahia.
Logo na abertura do documento, na primeira versão, Flávio se apresenta como vencedor da disputa presidencial, embora tenha sido derrotado nas urnas.
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, veio a segunda redação: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”.
Ao justificar sua saída, Flávio menciona a possibilidade de apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar e eventual condenação. No entanto, reconhece que não havia mandado de prisão expedido contra ele.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, diz.
Em outro trecho, Flávio rejeita a classificação de sua saída como fuga. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”.
O senador também dirige uma mensagem aos parlamentares e governadores aliados, com uma referência específica a Rogério Marinho (PL-RN), a quem chama de seu candidato à Presidência do Senado. A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão no comando da Casa e às discussões dentro da direita sobre a reorganização da oposição após a derrota eleitoral.
“Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirma.
Flávio ainda compara sua situação à de lideranças políticas que atuaram no exílio, como o ex-presidente francês Charles de Gaulle, o jurista brasileiro Rui Barbosa e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González. Ao citar esses exemplos, procura apresentar sua saída do Brasil como parte de uma estratégia de resistência política.
Ao final, promete manter uma comunicação frequente com seus eleitores e anunciar uma estratégia de atuação política a partir dos Estados Unidos.
Trump não se envolverá
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não se envolverá na turbulência pós-eleitoral no Brasil. “Bem, não vou fazer comentários sobre isso, mas sei que demos a ele permissão para entrar no país; então, vamos ver”, disse Trump a repórteres ao ser questionado sobre a declaração de Bolsonaro.
Tarcísio de Freitas
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que entende o sentimento de indignação do senador Flávio Bolsonaro (PL), mas afirmou ao Estadão que a eleição acabou e é preciso agora respeitar o resultado das urnas e seguir em frente.
“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também”, afirmou o governador.
Rogério Marinho
O secretário geral do Partido Liberal (PL), senador Rogério Marinho, confirmou que teve uma ligeira conversa com o Flávio Bolsonaro (PL-RJ), prestando-lhe solidariedade e à sua família.
Rogério Marinho disse que volta a conversar nesta quinta-feira (29) com o Flávio Bolsonaro, para começar a alinhar a oposição ao governo Lula, já a partir de agora e no mandato de 2027/2030.
“Acredito que ele vai se posicionar sobre assuntos relacionados ao Brasil, mas nós não conversamos de que forma isso se dará”, declarou Rogério.
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