Ives Gandra diz que Flávio errou ao se declarar presidente e critica interferência do STF

Jurista Ives Gandra afirmou que Lula contou com a “preferência do STF”, mas ressaltou que o resultado das urnas deve ser reconhecido. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)
O jurista Ives Gandra Martins afirmou nesta quarta-feira (28) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) errou ao se autodeclarar o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e criticou a “interferência do Supremo Tribunal Federal nas eleições”. Flávio recuou cerca de uma hora depois da divulgação da primeira carta e, na segunda versão, disse que será o “líder do Brasil”.
“Houve interferência do Supremo Tribunal Federal nas eleições e os métodos usados pelo presidente Lula para se reeleger merecem todas as críticas. Flávio deveria ter focado nisso. Mas eleição é definida pelos eleitores, que escolheram Lula. Então, ele é o presidente”, disse Gandra em entrevista à Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.
O jurista destacou que o pacote de bondades implementado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha custou quase R$ 300 bilhões e afirmou que o petista teria contado com a “preferência do STF”. Flávio perdeu a eleição por cerca de 4,4 milhões de votos.
Mais cedo, o “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, sem apresentar provas, que houve "fraude eleitoral". Gandra enfatizou que “Lula foi eleito” e disse que Flávio “fez bem” ao mudar a carta.
Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado pela Polícia Federal logo após deixar a casa do pai por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro. O ministro determinou que ele entregasse os passaportes, o proibiu de deixar o país e de manter contato com Tomaz.
Horas depois, Flávio recuou sobre pedir a anulação da eleição, disse que apresentaria uma ação para cassar a chapa vencedora e garantiu aos seus apoiadores que não tinha intenção de deixar o Brasil.
Os rumores sobre a possível saída do país começaram na madrugada de terça-feira (27) a partir de publicações do site argentino Infobae. Os aliados do senador alegaram que sua decisão teria sido motivada para evitar perseguição política.
No final da noite de terça-feira (27), notícias davam conta de que Flávio e sua família já tinham desembarcado nos Estados Unidos. Porém, eles chegaram na manhã de quarta-feira (28) no aeroporto executivo de Opa-Locka, na região de Miami, Flórida. A viagem foi realizada em um jato executivo que partiu de Puerto Iguazu, na Argentina, com escala em Guayaquil, no Equador.
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