Poder360 — Geral
29/10/2026 05:27

Polícia Federal pede mais 60 dias no caso Master

A Polícia Federal pediu na 4ª feira (28.out.2026) a prorrogação por mais  60 dias do prazo para concluir a investigação sobre suspeitas de fraude financeira envolvendo o Banco Master. O pedido consta do relatório parcial apresentado ao Supremo Tribunal Federal.

A solicitação foi feita no mesmo documento em que a PF indiciou Daniel Vorcaro, fundador do Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), e outras 13 pessoas por suspeita de envolvimento em crimes financeiros.

O relatório foi elaborado no Inquérito 5.026, relacionado à tentativa de venda do Master para o BRB, que tramita no STF.  Eis a íntegra (PDF – 10,1 MB).

Segundo a PF, a prorrogação do prazo é “imprescindível” para concluir exames periciais e diligências complementares “relacionadas às demais hipóteses criminais identificadas ao longo da investigação”.

A corporação diz que a apuração abrange um grande volume de documentos, além de uma rede extensa de agentes e de movimentações financeiras. Esse cenário demandaria “exame técnico especializado e análise integrada das diversas fontes probatórias”.

Os delegados afirmam, no entanto, que o relatório parcial apresentado, que formalizou o indiciamento de 15 pessoas, trata das “linhas investigativas em relação às quais já havia suporte probatório suficientemente consolidado”. A prorrogação permitiria aprofundar a apuração de “hipóteses remanescentes”.

INDICIAMENTO

Segundo a PF, os elementos reunidos indicam a existência de um esquema de operações financeiras envolvendo carteiras de crédito de origem questionada, produção posterior de documentos e suposta ocultação da titularidade e da movimentação de recursos.

A investigação também aponta para a participação de integrantes das estruturas executivas, financeiras, jurídicas e operacionais dos bancos e de empresas relacionadas aos negócios.

Vorcaro foi indiciado por suspeitas de gestão fraudulenta de instituição financeira, crimes relacionados à organização criminosa e lavagem de dinheiro. As imputações ainda dependem da análise das autoridades competentes. O indiciamento, por si só, não representa uma condenação criminal.

O indiciamento é o ato pelo qual a autoridade policial atribui a alguém a provável autoria de uma infração penal, com base nos elementos reunidos durante a investigação. Não equivale a uma denúncia do Ministério Público nem a uma condenação judicial.

A denúncia é a peça pela qual o Ministério Público formaliza a acusação perante o Poder Judiciário. Se recebida pela Justiça, dá início à ação penal.

Eis a lista dos 15 indiciados:

  1. Daniel Bueno Vorcaro – ex-controlador do Banco Master;
  2. Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa – ex-presidente do BRB;
  3. Augusto Ferreira Lima – ex-sócio do Banco Master;
  4. Angelo Antônio Ribeiro da Silva – executivo do Banco Master;
  5. Luiz Antonio Bull – executivo do Banco Master;
  6. Alberto Félix de Oliveira Neto – responsável pela área de tesouraria do Master;
  7. Allan da Silva Machado – ligado à estrutura operacional das carteiras de crédito;
  8. Henrique Souza e Silva Peretto – ligado à empresa Tirreno;
  9. André Felipe de Oliveira Seixas Maia – ligado à Tirreno;
  10. Daniel Lopes Monteiro – advogado apontado no relatório como participante da estruturação jurídica das operações;
  11. Dario Oswaldo Garcia Junior – ex-diretor financeiro do BRB;
  12. Luana de Andrade Ribeiro – dirigente do BRB;
  13. Cristiane Maria Lima Bukowitz – dirigente do BRB;
  14. Diogo Ilário de Araújo Oliveira – dirigente do BRB.
  15. José Maria Correa Dias Junior – dirigente do BRB.

OUTRO LADO

O pedido de mais 60 dias foi usado como argumento pela defesa do ex-dono do Banco Master. Em nota, os advogados de Vorcaro classificaram a medida como “açodada e afoita”, argumentando que a investigação ainda não foi concluída, com perícias em andamento, materiais apreendidos sem análise e depoimentos pendentes.

A defesa também declarou que não há comprovação técnica de fraude ou prejuízo ao BRB e contestou a acusação de lavagem de dinheiro, dizendo que a análise dos fluxos financeiros ainda está pendente.

A reportagem procurou a defesa dos demais indiciados. O texto será atualizado caso sejam enviados posicionamentos.

Leia a íntegra da nota da defesa de Vorcaro:

“A defesa de Daniel Vorcaro tomou conhecimento do relatório parcial apresentado pela Polícia Federal no Inquérito nº 5026/STF, que promove o indiciamento de Daniel. Trata-se de um ato açodado e afoito, que antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado:

  • “Indiciamento antes do fim da investigação: no mesmo documento em que indicia, a autoridade policial pede ao Supremo Tribunal Federal mais 60 dias para prosseguir nas apurações. Reconhece que exames periciais seguem ‘em elaboração’, que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas relevantes sequer foram ouvidas. Indicia-se primeiro para investigar depois. 
  • “Inexistência de prejuízo ao BRB: o negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo: os números citados no relatório vêm da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB, que é parte interessada, e a própria Polícia Federal reconhece que não teve acesso ao resultado da auditoria sobre os ativos entregues em substituição. A defesa já pediu, na esfera cível, a perícia que sepultará definitivamente a narrativa fantasiosa de fraude e prejuízo.
  • “Lavagem de dinheiro sem rastreamento de recursos: o relatório imputa lavagem de capitais, mas registra que ainda está pendente a análise bancária, fiscal e patrimonial destinada a ‘identificar eventual proveito econômico’ e ‘rastrear os fluxos financeiros’. Imputa-se a ocultação de valores cujo caminho sequer foi examinado.
  • “Indiciamento frágil e absurdo: as conclusões se apoiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas ‘em tese’, e não em demonstração técnica. São operações embasadas em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança de duas instituições supervisionadas pelo Banco Central. Agora são retratadas como crime sem que se tenha aferido seu resultado econômico.
  • “O depoimento que não vazou: Daniel Vorcaro prestou à Polícia Federal esclarecimentos decisivos sobre as operações com o BRB. Foi um depoimento esclarecedor e, curiosamente, justamente ele não foi vazado.
  • “Arquivamento do Inquérito e Revogação da Prisão: sem prova técnica de fraude ou de prejuízo, o indiciamento não se sustenta, e o inquérito relativo às operações entre o Banco Master e o BRB deve ser arquivado. Nesse contexto, torna-se urgente e imperativa a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, garantindo-se seu direito de responder em liberdade.

“Brasília, 28 de outubro de 2026.

“A defesa de Daniel Vorcaro”


Leia mais:

📄 Contenido indexado automáticamente. No es de autoría de altabusqueda.com; los derechos pertenecen a su fuente: Poder360 — Geral.
Ver nota original ↗
🤖 Profundizá esta noticia con OIMA (IA)

¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?

Respuestas de OIMA · IA, sobre esta noticia · Abrir OIMA Chat ↗
💬 0

Comentarios

También te puede interesar

She is stepping down at the end of the year
Tennessee Lookout
Tennessee Education Lottery CEO Rebecca Paul will retire from her position at the end of 2026, ending her ten…
How Tennessee’s House speaker helped keep a payday lender’s struggling sports gambling company alive
Tennessee Lookout
This article was produced for ProPublica’s Local Reporting Network in partnership with Tennessee Lookout. Sig…
REPORT - Hydrogeology of Nashville and Implications for the Music City Loop
Tennessee Lookout
%PDF-1.7 4 0 obj (Identity) endobj 5 0 obj (Adobe) endobj 8 0 obj > stream x??\?E?7>s߻??e?
?????"G5P?P?*?…
A model for the nation? Tennessee GOP ushers in sweeping ‘Immigration 2026’ agenda
Tennessee Lookout
State Republican leaders kicked off this year’s legislative session in January by unveiling a sweeping immigr…
he hired the consultancy firm McKinsey
Tennessee Lookout
State lawmakers are taking a tougher stance on sole-source contracts, asking hard questions of state agencies…
Blackburn moves $4.8M from US Senate campaign account in apparent legal ‘workaround’
Tennessee Lookout
A political action committee operated by officers of the conservative pro-private school voucher group Club F…