TRAGÉDIA Colisão entre trens mata ao menos 68 pessoas na Espanha
TRAGÉDIA
Choque ocorreu às 4h54 (em Brasília) entre os municípios de Los Yébenes e Urda

Folha de S.Paulo | 29/10/2026 às 4h00
Equipes de emergência atuam no local onde trens colidiram | Foto: — Divulgação
Pelo menos 68 pessoas morreram nessa quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, a cerca de 150 km de Madri. Segundo a ministra da Saúde, Mónica García, outras 80 pessoas ficaram feridas, 15 delas em estado grave.
O choque ocorreu por volta das 8h54 locais (4h54 em Brasília) entre os municípios de Los Yébenes e Urda. Segundo os serviços de emergência, uma composição da Renfe, operadora ferroviária estatal, colidiu com outra da empresa privada Iryo, que estava parada na via.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que o trem da Renfe recebeu autorização para seguir viagem mesmo com o sinal vermelho ativo, o qual indicava a presença da composição parada à frente. Segundo ele, a medida violou o protocolo de segurança.
Puente explicou que uma falha nos sistemas informáticos acionou o sinal vermelho e interrompeu automaticamente a circulação. Mesmo sem o restabelecimento do sistema, o centro de controle decidiu retomar o tráfego. "Essa decisão é do centro de controle, que a tomou em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis", disse o ministro.
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O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha. Segundo o governo local, 544 passageiros viajavam nas duas composições — 147 no trem da Iryo e 397 no da estatal. O premiê Pedro Sánchez decretou luto oficial de três dias. "Chocado com o grave acidente ferroviário em Toledo. Meu carinho, minha solidariedade e meu apoio a todas as vítimas e seus familiares", escreveu no X (antigo Twitter).
Mais tarde, o premiê esteve no local e declarou que o governo "está tentando determinar as causas desta terrível tragédia e entender como e por que ela aconteceu". Afirmou ainda que, "caso tenha havido negligência, isso virá à tona" e que, se forem constatadas falhas no sistema de segurança, elas serão corrigidas "com determinação".
Trata-se de um dos piores acidentes da história ferroviária da Espanha desde os anos 1970, ocorrido apenas nove meses após outra colisão entre dois trens em Adamuz, na província de Córdoba, que deixou 46 mortos.
Uma passageira do trem da Iryo disse à rádio Cadena SER ter sentido um forte impacto que a arremessou para a frente, o que a levou a pensar, inicialmente, tratar-se de uma parada de emergência. A gravidade do acidente só foi percebida após ela ver pessoas feridas e receber a orientação para desembarcar.
Equipes de bombeiros e três helicópteros foram enviados ao local, de acordo com os serviços de emergência. O Ministério do Interior mobilizou integrantes da Unidade Militar de Emergências.
A presidente regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, pediu doações de sangue em publicação no X. Autoridades e cidadãos organizaram minutos de silêncio em frente às prefeituras de Madri e de Sevilha.
Horas depois, grupos de extrema-direita protestaram e entraram em confronto com a polícia na capital para exigir a renúncia do governo Sánchez. Cerca de 500 manifestantes reuniram-se em frente ao Ministério dos Transportes; alguns lançaram garrafas e sinalizadores contra os policiais, que responderam com gás lacrimogêneo. As autoridades informaram que não houve feridos nem detidos.
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