Campo Grande News
O peso da folha e o espaço cada vez menor para investir no futuro
A proposta orçamentária de Mato Grosso do Sul para 2027 coloca diante da sociedade uma disparidade que merece mais atenção do que a simples apresentação das cifras: R$ 13,495 bilhões destinados a pessoal e encargos sociais, diante de R$ 2,454 bilhões para investimentos. Para cada real reservado a obras, equipamentos e ampliação da infraestrutura pública, estão previstos aproximadamente R$ 5,50 em despesas com pessoal. É uma diferença que exige explicações sobre a capacidade do Estado de atender às necessidades atuais e preparar o futuro. A folha é uma obrigação permanente. Os investimentos representam a possibilidade de ampliar essa capacidade de atendimento: construir e equipar unidades, melhorar estradas, modernizar escolas e enfrentar deficiências acumuladas. Quando a distância entre essas duas despesas é tão grande, a discussão precisa alcançar o retorno que a sociedade recebe pelo dinheiro que entrega ao poder público. Há uma distinção necessária para que a cobrança seja rigorosa. Os recursos destinados ao funcionalismo também atendem à população. Professores, policiais e profissionais da saúde prestam serviços indispensáveis. Uma escola precisa de estrutura e de quem ensine; uma unidade de saúde depende de equipamentos e de equipes. Seria incorreto apresentar os R$ 2,454 bilhões como se fossem todo o dinheiro destinado aos cidadãos. Essa ressalva, entretanto, não diminui a responsabilidade do governo de explicar o peso de sua estrutura. Pagar os servidores é indispensável, mas a dimensão da folha precisa vir acompanhada de resultados verificáveis: qualidade do ensino, capacidade de atendimento, segurança e agilidade dos serviços. O contribuinte tem o direito de saber quanto custa cada política pública e o que ela entrega. O orçamento proposto soma R$ 27,992 bilhões. Nessa comparação, pessoal e encargos representam aproximadamente 48,2% do total, enquanto os investimentos correspondem a 8,8%. Esses percentuais mostram a distribuição dos recursos previstos; por si, não comprovam desperdício ou irregularidade. Revelam, contudo, o tamanho do desafio para ampliar a capacidade de investimento. Despesas permanentes comprometem receitas futuras. Investimentos dependem de planejamento, recursos e execução. Se a arrecadação frustrar as expectativas, o governo precisará explicar quais compromissos serão preservados e quais projetos poderão ser adiados. A sociedade deve conhecer esse risco antes de descobrir que uma obra prometida ficará para outro exercício. A resposta exige mais do que uma recomendação genérica de cortar gastos. É preciso examinar a distribuição de servidores, a necessidade dos cargos de confiança, a sobreposição de estruturas e a produtividade administrativa. Eventuais economias devem ter destino e resultado identificáveis. Reduzir despesas sem melhorar o atendimento tampouco resolve o problema. A Assembleia Legislativa tem responsabilidade decisiva nesse debate. A análise da proposta precisa tornar compreensível quanto o Estado gasta para funcionar, quais necessidades pretende atender e como protegerá os investimentos durante a execução. Também deve exigir critérios claros para justificar aumentos e reduções nas diferentes áreas. Mato Grosso do Sul precisa de um serviço público valorizado e capaz de entregar resultados. Precisa, igualmente, de recursos para expandir sua infraestrutura e alcançar quem ainda espera atendimento adequado. A disparidade entre folha e investimentos cobra do governo uma demonstração concreta: como transformar uma estrutura de bilhões de reais em serviços melhores e em capacidade de construir o futuro.
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