O Povo
29/10/2026 07:30

Com títulos e revelações, Ceará e Fortaleza estruturam o futuro da base

Cearenses

Equipes tiveram resultados distintos nos campeonatos de base, mas possuem metodologia de formação consistente, algo fundamental para os clubes se reerguerem

Por João Bosco Neto

Notícia

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Publicado às 06:00, 29/10/2026

Ceará e Fortaleza: rivalidade em quase todas as categorias
Ceará e Fortaleza: rivalidade em quase todas as categorias Crédito: Gabriel Silva / Ceará SC

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Resumo

  • O Alvinegro colhe frutos com conquistas no sub-20 (Brasileiro Série A2 e Campeonato Cearense) e revelações consolidadas ou negociadas, impulsionado pela filosofia do técnico Rogério Ferreira de cultivar mentalidade vencedora e forte identificação com a torcida.

  • Apesar dos reveses no sub-20 na temporada, o Leão aposta em forte captação regional nas categorias iniciais (com 85% de atletas locais até o sub-15) aliada à prospecção externa, mantendo a formação de talentos e vendas de pratas da casa.

  • O Tricolor reforçou os investimentos no extracampo do CT Ribamar Bezerra, oferecendo acompanhamento pedagógico, psicológico e social para apoiar os jovens atletas tanto na busca pelo profissionalismo quanto na preparação para o futuro fora dos gramados.

A categoria de base é o maior tesouro de qualquer equipe de futebol, ainda mais no Brasil, país que mais exporta atletas no mundo. Entendendo isso, Ceará e Fortaleza estruturaram as respectivas divisões de formação conforme as equipes foram aumentando o orçamento e parecem colher os frutos de tais escolhas.

O Vovô vem tendo mais êxito inicial, tendo revelado atletas que contribuíram na equipe principal, como Arthur Cabral, Felipe Jonatan, Jonathan Jesus, Melk e Enzo, além de nomes que concluíram sua formação como atletas profissionais no clube, sendo exemplos David Ricardo e Giulio.

Mais recentemente, as taças chegaram, em um trabalho iniciado com Alisson Henry, campeão da Copa Nordeste sub-20 em 2025. Nesta temporada, o Alvinegro conquistou o Campeonato Brasileiro Série A2 e o Campeonato Cearense. Nesta quinta-feira, 29, às 16 horas, encara o São Paulo no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil da categoria.

Para Rogério Ferreira, atual treinador do sub-20 da equipe, um dos segredos para produzir tantos atletas competitivos é colocá-los em um ambiente competitivo desde cedo. Para o profissional, a regularidade em meio às competições que o elenco disputou demonstra a maturidade do grupo.

"Por ser um time de camisa pesada, a gente sabe que é importante revelar, mas também é fundamental produzir jogadores que já estejam acostumados a vencer, porque a demanda na equipe principal vai ser exatamente essa", disse.

"Acho que foi muito importante coroar a campanha, que não foi apenas consistente no Campeonato Cearense, mas também ao longo de todo o ano na Série B do Campeonato Brasileiro. Foram jogos muito difíceis, mas eu acho que nós fizemos por merecer conquistar esse título", concluiu.

Segundo Ferreira, a identidade criada entre os jogadores e a torcida ajuda a criar atletas identificados quando estreiam no profissional. Além disso, o conhecimento dos jogadores sobre a história e momento do clube cria um ambiente favorável para o desenvolvimento do atleta.

"Eu vejo aqui (no Ceará) uma ideia muito clara. É uma identificação muito grande com a torcida do Ceará, do tipo de jogador que eles querem, e o trabalho totalmente direcionado a isso, junto a uma seleção muito pontual de pessoas que trabalham. Acho que são pessoas que entendem que dificuldades vão acontecer, seja financeiras ou estruturais, em vários momentos, mas que o bom trabalho sempre consegue superar isso”, declarou.

Fortaleza e a captação de futuros talentos

Do lado tricolor, a equipe sofreu um baque nos certames nacionais no sub-20 e bateu na trave nos regionais. A equipe foi rebaixada para a Série A2 do torneio de base, vencendo somente dois jogos durante toda a competição. No Cearense e na Copa do Nordeste sub-20, dois vice-campeonatos — diante de Ceará e Bahia, respectivamente. Em outras categorias, como o sub-17, em que chegou às quartas de final do Brasileirão, o time já colhe talentos.

Kauã Rocha, Lucas Emanoel e Lucca Prior foram os atletas da base que mais atuaram na temporada, mas perderam espaço com o passar do tempo e os dois primeiros desceram ao sub-20. O time também tem como problema a falta de atletas formados inteiramente dentro do clube, uma vez que nomes de destaque como Hércules, Gustavo Mancha e Kervin Andrade fizeram categorias de base em outro clube. Os três, porém, foram essenciais para o caixa do clube, com vendas milionárias.

Erisson Matias, gerente das divisões de formação do Fortaleza, acredita que não participar de 100% da formação de talentos não é fato preocupante em si, uma vez que a equipe tem um alto volume de jogadores cearenses e fortalezenses em divisões anteriores ao sub-20. O gestor vê os demais países sul-americanos e os africanos como mercados com bons jogadores que podem ser lapidados tecnicamente no CT Ribamar Bezerra.

"Até a categoria sub-15, cerca de 85% dos nossos atletas são nascidos no estado ou na região. A partir daí, essa composição começa a ficar mais mesclada. No último estágio, que é o sub-20, tivemos casos recentes como o Landerson e o João Lucas — que ainda era do sub-17. Os dois foram negociados, são cearenses e chegaram ao clube por volta dos 11 ou 12 anos de idade. Portanto, não procede essa ideia de que o clube só forma ou só revela jogador de fora", explicou em entrevista ao programa "Esportes O POVO 2ª edição".

Apesar do rebaixamento do Fortaleza profissional para a Série B, as categorias de base mantiveram investimento relevante em estrutura, sobretudo no departamento pessoal. O clube conta com psicóloga, assistente social e pedagoga para atuar no desenvolvimento de cada atleta.

Além disso, ídolos do clube, como Rinaldo e Clodoaldo, estão sempre em contato com os jogadores, e o clube mantém parceria com escolas próprias, além de uma biblioteca e sala de aula para compensar faltas em dias de jogo. Para Matias, mais do que formar jogadores, o objetivo do clube é formar cidadãos.

"A nossa metodologia não se encerra quando o atleta sobe para o profissional ou é vendido. Temos uma frente voltada para o pós-carreira e para as alternativas de vida, porque ele tanto pode se tornar um jogador profissional de sucesso quanto encerrar o ciclo aos 15 anos. Ele precisa estar preparado para qualquer um desses caminhos", relata.

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