Ciclofaixa no bairro Vicente Pinzon é removida duas semanas após instalação
A Prefeitura afirmou que a remoção atendeu à solicitação de moradores, alegando que a ciclofaixa interferia nas áreas utilizadas para estacionamento de veículos particulares
Por Gabriele Félix
Notícia
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Publicado às 08:00, 28/10/2026
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A remoção de uma ciclofaixa recém-instalada na rua Fausto Cabral, no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza, foi denunciada nas redes sociais por ativistas que monitoram a política cicloviária da capital cearense. Na manhã desta terça-feira, 27, O POVO esteve na via e verificou que não havia sinalização da ciclofaixa na região.
A estrutura havia sido implantada no dia 2 de outubro, mas foi removida cerca de duas semanas depois, após reavaliação da intervenção prevista para o trecho, segundo informou a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), em nota.
O arquiteto e urbanista Mateus Tavares, cicloativista e representante da CicloUrb, afirmou que a implantação da ciclofaixa no bairro Vicente Pinzon estava prevista pelo Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) desde 2014.
O documento estabelece que as ciclofaixas e ciclovias deverão ser implantadas conforme as diretrizes, dimensões e especificações mínimas apresentadas pelo PDCI.
A estrutura, segundo a SCSP, fazia parte do planejamento do BICI – Programa de Infraestrutura Cicloviária de Fortaleza, integrando o conjunto de 24 quilômetros (km) de novas estruturas cicloviárias previstas para implantação na Capital até dezembro.
A pasta destacou que, dentre os critérios utilizados para escolher a instalação na via, foram consideradas a “demanda de deslocamentos na região, a possibilidade de conexão com a malha cicloviária já existente na Praia do Futuro e a proximidade de uma unidade municipal de ensino, atendida diariamente por estudantes que também realizam seus deslocamentos a pé e de bicicleta”.
Do ponto de vista técnico, o arquiteto explica que a instalação da ciclofaixa reconfigurou a via, ocupando espaço de estacionamento ao lado esquerdo, sem comprometer a faixa de tráfego de veículos.
“Pelo que eu verifiquei lá, indo pessoalmente, a demanda para estacionamentos não é tão alta ao longo de toda a via. Em determinados trechos, onde tem escola, esse volume, essa demanda é um pouco mais alta. A minha percepção é de que não houve tanto prejuízo ao tráfego veicular em geral e isso, obviamente, tem que ser levado em consideração”, explica.
Ainda de acordo com o arquiteto, a remoção da estrutura aconteceu de forma tão rápida que não houve tempo para que os usuários do equipamento se adaptar à nova configuração viária da região.
“A ciclofaixa recebe novos ciclistas porque as pessoas se sentem convidadas a utilizar aquele espaço. Então, pode ser que a o baixo volume de ciclista seja por isso, porque aquela via não é utilizada como uma via assim prioritária para ciclistas”, avalia.
A principal reivindicação dos cicloativistas em relação ao caso é que a Prefeitura de Fortaleza aumente a transparência e formalize explicações oficiais para justificar a desistência da obra.
“Não tem como a gente sentir pertencente de algo se a gente não consegue dialogar com a gestão. Obviamente, a gente bate, denuncia, critica, mas a gente quer somar, se a Prefeitura quiser somar junto”, ressalta.
De acordo com a Secretaria, a retirada ocorreu após solicitações de moradores do entorno, que relataram que a implantação da ciclofaixa estava interferindo nas áreas utilizadas para estacionamento de veículos particulares.
A pasta afirmou que o objetivo é, posteriormente, viabilizar a implantação de uma nova estrutura cicloviária na região.
“Diante das manifestações, a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) e a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) realizarão novos estudos técnicos no trecho, considerando as características da via, a mobilidade local e as demandas apresentadas”, afirma um trecho da nota.
Sem informar o investimento do serviço, a SCSP declarou que a empresa responsável pelos serviços não realizou cobrança pela retirada da ciclofaixa, o que não teria gerado custo adicional para o Município.
Atualmente, Fortaleza possui 503,5 km de infraestrutura cicloviária, sendo 316,9 km de ciclofaixas, 161,8 km de ciclovias, 16,5 km de ciclorrotas e 8,3 km de passeios compartilhados. A SCSP informou que, entre 2025 e 2026, implantou 3,8 km de novas ciclofaixas na Capital.
Moradores e ciclistas divergem sobre implantação da ciclofaixa
A instalação da ciclofaixa na rua Fausto Cabral gerou divergências entre os moradores da região e os usuários da estrutura.
Stenio Garcia, 47, trabalha como zelador em um condomínio localizado à frente do equipamento e explica que a instalação passou a ocupar uma área que era utilizada para o embarque, desembarque e entrada da garagem do prédio.
Segundo ele, a ciclofaixa teria gerado reclamações de moradores, por ter tornado a via mais estreira, prejudicando a circulação de veículos e aumentando os riscos de acidentes. Por isso, teria sido solicitada a remoção da estrutura.
“Está atrapalhando o trânsito desse lado aqui, entendeu? Porque se fosse até desse outro lado aqui, até que estaria tudo bem; mas foi pro lado de lá, porque o pessoal passa ‘voado’ e aqui já teve vários acidentes”, argumenta.
O jardineiro Francisco Willian, 52, utiliza a bicicleta diariamente há mais de dez anos como o seu principal meio de transporte. Para ele, o veículo facilita os deslocamentos e evita os frequentes atrasos causados pelos ônibus, que acabam reféns do trânsito.
O ciclista reprovou a remoção da ciclofaixa da via e aproveitou para denunciar o aumento do corte de árvores da rua, reduzindo a projeção de sombra na região. Para ele, a situação reduz a segurança para os usuários que utilizam a estrutura.
“Recentemente o pessoal acabou de colocar asfalto. Eu achei até estranho, porque eu costumo aqui passar e eu acho estava achando até bom que tinha isso aqui. Aí tiraram, cortaram as árvores quase tudo aqui. Foi aqui nessa via. Se você for para lá, você vai ver um monte de árvore cortada, não é nem para fazer isso”, critica.
E acrescenta: “Não é um serviço bem feito. Além de não ser bem feito, ainda acabam tirando as que têm”.
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