Em virada inédita, Lula é eleito presidente pela quarta vez
Por incrível que lhe possa parecer, leitor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 81 anos, foi eleito, pela quarta vez, presidente da República. Mas a proeza foi mais longe. A sua eleição foi também acompanhada de uma virada inédita no segundo turno. Numa das suas primeiras fotos, também histórica, Lula aparece carregando no ombro esquerdo a bandeira do Brasil e na mão direita a Constituição – a última, datada de 1988, que o seu adversário, se eleito, pretendia “reformar”.
O Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogou a votação quando chegou ao seu conhecimento a notícia de “relatos de falhas no transporte”. Diante disto, o ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu o horário final da votação, das 17h para as 19h, em todo o país. Tanto ministros do STF quando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) veem erros na prorrogação, mas descartam anular a eleição, como exigem alguns setores da direita. Foi nesse momento que Trump deixou escapar mais uma das suas esdrúxulas observações: “Me dou com ele (Lula), mas a eleição pareceu fraudada”. Disse isso, leitor, sem prova, como se fosse dono do mundo.
A primeira declaração do adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, pouco depois de ter sido divulgado o resultado pelo TSE, não foi nada amistosa. Entre desolado e confiante, disse, demonstrando coragem: “É impossível aceitar o resultado. A gente não está aqui para brincadeira. Não o reconheço e vou pedir a anulação”.
O senador está proibido de se comunicar com o advogado Willer Tomaz, seu amigo, que está sendo investigado por suspeita de crime de lavagem de dinheiro.
Flávio ainda não se convenceu de que perdeu a eleição por 4,4 milhões de votos. De nada valeu a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro para que o filho fosse o representante da direita bolsonarista. Aliás, como tal foi crescendo, pelo menos até o primeiro turno, chegou a preocupar bastante o adversário. A sua derrota, todavia, no segundo turno, porá fim à permanência como líder da direita, depois de ter exercido cinco mandatos (quatro de deputado na Assembleia do Rio e um de senador pelo mesmo estado).
Não se pode dizer, porém, que o bolsonarismo esteja politicamente morto. A família disporá de representantes no Congresso Nacional. Para lá irão Carlos Bolsonaro (PL-SC) e Jair Renan (PL-SC), ambos filhos de Jair, o primeiro, senador, e o segundo, deputado federal. Isso sem contar com Michele Bolsonaro, que, seguramente, terá papel importante no clã.
Enfim, não invejo a vitória de Lula. A turma citada integrará um exército no Congresso, que nunca lhe dará tréguas. E com um detalhe: Lula não poderá errar. Terá que acertar desde o primeiro ato. Agora vai necessitar da frente ampla da eleição anterior. Ela, que não foi respeitada antes, quem sabe, poderá servir-lhe agora.
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