NR-1 impulsiona negócios e serviços que vão da coleta de dados à prevenção de riscos
29 Outubro 2026
Negócios
Com a saúde mental no centro da discussão, empresas visam contribuir com as organizações para facilitar os processos de gestão
A partir deste contexto, negócios buscam ofertar produtos e serviços para auxiliar as organizações em meio às mudanças. Esse é o caso da Raiô Benefícios, que agora passa a operar como uma ferramenta de apoio.
Fundada em 2023, a Raiô Benefícios aposta na crescente do mercado de benefícios corporativos. Tendo como carro-chefe o cartão de benefícios que pode servir como vale-refeição e para saúde, a empresa também opera com parcerias para ofertar apoio em áreas como telemedicina, saúde física e bem-estar.
Idealizada por José Renato Hopf, ex-CEO da Getnet e presidente do grupo Four, junto ao COO Matheus Bernardes, um dos insights que motivou a criação da iniciativa foi a percepção de crescimento do mercado de benefícios somada à lacuna nos serviços prestados para quem administra estes processos dentro das organizações.
"Conversamos com mais de 300 RHs antes de montar a empresa e listamos 70 diferenciais competitivos, que nós costumamos dizer hoje que são 70 motivos para escolher a Raio Benefícios”, detalha Matheus
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De metas abusivas a cargas de trabalho extremas, os riscos psicossociais passam a protagonizar as decisões em organizações. Após a atualização na Norma Regulamentadora n°1 (NR-1), diretriz utilizada para orientar ações de saúde e segurança no trabalho que entrou em vigor em maio de 2026, os empregadores passam a ter a responsabilidade de assegurar medidas de avaliação, identificação e prevenção em prol da saúde mental no ambiente de trabalho.
A partir deste contexto, negócios buscam ofertar produtos e serviços para auxiliar as organizações em meio às mudanças. Esse é o caso da Raiô Benefícios, que agora passa a operar como uma ferramenta de apoio.
Fundada em 2023, a Raiô Benefícios aposta na crescente do mercado de benefícios corporativos. Tendo como carro-chefe o cartão de benefícios que pode servir como vale-refeição e para saúde, a empresa também opera com parcerias para ofertar apoio em áreas como telemedicina, saúde física e bem-estar.
Idealizada por José Renato Hopf, ex-CEO da Getnet e presidente do grupo Four, junto ao COO Matheus Bernardes, um dos insights que motivou a criação da iniciativa foi a percepção de crescimento do mercado de benefícios somada à lacuna nos serviços prestados para quem administra estes processos dentro das organizações.
"Conversamos com mais de 300 RHs antes de montar a empresa e listamos 70 diferenciais competitivos, que nós costumamos dizer hoje que são 70 motivos para escolher a Raio Benefícios”, detalha Matheus
NR-1 no centro
Segundo ele, houve um aumento na procura de empresas por produtos que adicionam práticas de promoção à saúde mental, visando estruturar planos de ações dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos.
"A NR-1 tirou a saúde mental do campo da boa intenção e colocou no campo da gestão", percebe o empreendedor.
Para Matheus, o apoio à saúde mental ganha urgência diante de um contexto de adoecimento impulsionado não apenas pelo trabalho, mas por fatores externos como os reflexos da pandemia, os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul e o endividamento por apostas virtuais. "Vemos que os colaboradores, cada vez mais, têm buscado acesso à saúde", conta.
Inicialmente, a proposta da empresa, como estratégia para atuar com clientes, foi a promoção de educação relacionada à norma regulamentadora para organizações
"Construímos conteúdos digitais que os nossos clientes podem ter acesso, como, por exemplo, manuais para eles utilizarem em treinamentos com as lideranças das suas empresas, manuais para falarem com os seus colaboradores sobre NR-1", detalha Matheus, acrescentando que também foram promovidas rodadas e encontros com os clientes para fomentar o tema dentro de um ecossistema maior.
Produtos e promoção do tema
Como aponta o empreendedor, os serviços da Raiô Benefícios podem ser divididos em três frentes. O cartão de benefícios com bandeira Visa, sem taxas de adesão para as corporações, que abrange até 17 categorias de uso corporativo: a área de saúde física, que viabiliza o acesso a redes de academias e diversas modalidades esportivas por meio de parcerias com plataformas como Total Pass e Well Hub, e a telemedicina, propondo o apoio psicológico remoto para colaboradores e seus dependentes.
dentro dos produtos disponíveis na frente de saúde, os serviços de telemedicina e apoio psicológico remoto focam especialmente nas pequenas e médias empresas, sem capacidade de arcar com planos de saúde.
"Então tem como entregar uma série de especialidades de medicina, clínico geral e apoio psicológico através de consultas online, tanto para a família quanto para o colaborador", detalha
Outra proposta do modelo de atuação está no canal de suporte que tornou a empresa pioneira no setor de benefícios ao introduzir o atendimento nativo via WhatsApp com fluxos dedicados tanto ao RH quanto ao colaborador final, eliminando a necessidade de o RH intermediar dúvidas operacionais sobre o cartão.
"Lidamos com uma responsabilidade muito grande que é o valor que as pessoas têm para sua alimentação no seu dia a dia. Então, precisamos estar onde o brasileiro está, e o brasileiro está no WhatsApp", ressalta o COO da Raiô, destacando que a nova legislação é apenas um impulso para trabalhar o assunto junto aos clientes.
"Não criamos um produto para NR-1 especificamente. O que a gente vem fazendo é promover o tema junto dos nossos clientes por entender a importância e a relevância", detalha.
Atualmente, o objetivo da Raiô Benefícios é manter a escuta e a parceria com os setores de recursos humanos, buscando sempre entender as principais necessidades individuais das empresas.
"Os nossos produtos são muito voltados para que o RH consiga customizar, dentro da sua empresa, o que mais faz sentido para os seus colaboradores", ressalta.
A The Safe Space fundamenta-se na ciência, na educação e no conhecimento para promover engajamento prático em empresas
Foto: ARQUIVO PESSOAL/JC
Originária de Porto Alegre, a The Safe Space fundamenta-se na ciência, na educação e no conhecimento para promover engajamento prático e garantir a segurança psicológica no ambiente de trabalho. Buscando diferenciação e resultados, a proposta da iniciativa consiste em utilizar design de experiência, materiais físicos customizados, dinâmicas de ambientação e estímulos sensoriais para promover engajamento prático.
À frente do empreendimento estão as sócias Juliana Goulart, Ana Clara Cobelz e Eduarda Salvador. Segundo as psicólogas, uma das frentes em que a empresa atua é o atendimento às empresas, buscando impactar na saúde mental.
"Não adianta eu ir lá dar um workshop ou uma palestra pronta sem gerar algum tipo de mobilização sensorial ou vivencial nas pessoas, porque a gente entende que isso é uma forma muito potente de passar educação e conhecimento", detalha Juliana.
Segundo as sócias, a inclusão da saúde mental na NR-1 representa uma importante conquista ao setor, por considerar os riscos psicossociais em um mesmo nível de outros fatores, como riscos físicos, químicos e ergonômicos. "Como psicóloga, é uma satisfação enorme ver as empresas se preocupando com saúde mental e ver que hoje existe uma forma de regulamentar isso", conta Juliana.
Após a promulgação da novidade dentro da norma regulamentadora, a The Safe Space passou a receber tanto mais oportunidade de negócios quanto de parcerias. Para a equipe, o mercado está mais
"Recebemos em um estande a visita de uma empresa que fazia a parte de denúncias sigilosas, mas eles não trabalhavam com o contexto de depois da denúncia, como se trabalha isso dentro da empresa. Teve essa fomentação de negócios entre parcerias também", relata.
Utilização dos dados coletados
Nesse cenário, Juliana enfatiza a importância da tradução dos dados captados em aspectos que possam ser executados. "Precisamos encontrar uma forma de deixar isso palatável para quem está muito acostumado a trabalhar com números e dados. Esse é um desafio grande", relata.
As sócias identificaram que muitas empresas aplicaram questionários exigidos pela norma, mas estancaram no processo por não saberem como agir sobre os dados obtidos. "A NR-1 é uma lei, mas entendo que ela tem que ser parte da cultura da empresa, é um trabalho a longo prazo", conta Juliana.
Visando atuar de forma significativa no clima organizacional, o negócio atua em diferentes frentes, mapeando desde a saúde psicológica das equipes ou aproveitamento e análise de dados primários que a empresa já tenha coletado. "Passamos por esse momento em todos os serviços de fazer uma preparação de sensibilização, depois mergulhar e aprofundar aquela temática, e ver como colocamos isso em prática de uma forma que se sustente a longo prazo."
Entre os serviços oferecidos, as empreendedoras destacam o diagnóstico organizacional, os métodos de adequação a NR-1, desenvolvimento de lideranças e equipes e workshops que visam o aprimoramento de soft skills, sempre com adaptações à realidade dos diferentes clientes.
"Tentamos deixar programas que mantenham aquilo, como um embaixador de saúde mental ou de práticas de bem-estar que vai perpetuar aquelas experiências", compartilha Juliana.
Atualmente, a The Safe Space mira um possível movimento de expansão. Mas, segundo Ana, um dos principais objetivos é o desenvolvimento da marca como uma iniciativa capaz de atestar a segurança psicológica nas organizações. "No sentido de que ali é um 'safe space' para se estar."
a Emotech busca suprir necessidades de bem-estar e facilitar processos e prevenção, tanto para lideranças, quanto para funcionários
Foto: ARQUIVO PESSOAL/JC
Visando contribuir para o aumento da produtividade e saúde das equipes, a startup Emotech, de Santa Maria, criou uma plataforma que opera em prol da prevenção a partir da coleta de dados. Contando com uma Inteligência Artificial integrada, o produto visa suprir necessidades de bem-estar e facilitar processos e prevenção, tanto para lideranças quanto para funcionários.
Em meio à necessidade de levantamentos preliminares de riscos por conta da NR-1, a Emotech foi criada para facilitar este processo. Segundo o fundador da empresa, Laureano Al Alam, advogado da área do direito e da consultoria empresarial, a ideia surgiu após ele perceber as dificuldades de técnicos de segurança do trabalho no levantamento de dados.
"Colhiam os questionários sempre de forma física, repassando para a planilha de Excel dado por dado", relata.
Dos dados à prevenção
Tendo como objetivo tornar-se referência no amparo perante riscos psicossociais, a startup, incubada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), utiliza a plataforma desenvolvida para mapear e analisar os dados da NR-1 à NR-38, transformando a coleta bruta em informação e, posteriormente, em prevenção de afastamentos antes que os problemas de saúde ocorram.
"Medimos clima, engajamento, inteligência emocional do trabalhador e da trabalhadora, felicidade interna, com a empresa, com o ambiente de trabalho. Procuramos desobstruir o abismo existente entre a empresa e o trabalhador", ressalta Laureano, acrescentando que o negócio também conta com psicólogos parceiros para dar continuidade nos processos.
Normas e cuidados
Com as atualizações da Norma Regulamentadora n°1, o empreendedor enfatiza a importância da Emotech para a redução dos processos apenas como pelo viés burocrático, reforçando que existem, atualmente, falsos especialistas que não mensuram o ambiente organizacional por completo.
"A NR-1 é tratada muitas vezes apenas como depressão ou saúde mental, por pessoas que se dizem especialistas. O risco psicossocial vem muito da ergonomia, do ambiente, da liderança abusiva e da organização do trabalho", explica.
Como funciona a plataforma
Entre os pacotes disponíveis, a Emotech vende, por R$ 5,94 por trabalhador ao mês, uma plataforma com proposta de medir a realidade e contribuir para a prevenção. Com áreas divididas para lideranças e trabalhadores, as medições da NR-1 e de clima são anonimizadas e em conformidade com a LGPD, com questionários validados.
"Nós gerenciamos os riscos psicossociais e ocupacionais para permitir que a empresa veja no dashboard dela o momento e onde agir", conta Laureano.
Também são disponibilizadas ao colaborador ferramentas voltadas ao enfrentamento de violência doméstica, a partir do questionário Frida, assim como métodos para educação financeira e superação de vício em apostas. Já a Inteligência Artificial Juliet foi desenvolvida para auxiliar os trabalhadores com questões referentes às normas regulamentadoras, assim como direitos sociais e previdenciários.
"A plataforma foi desenvolvida para nós buscarmos a verdade e os acontecimentos reais dentro da empresa", ressalta o empreendedor.
O que está no horizonte da Emotech
Entre os planos para o futuro da empresa, Laureano pretende ampliar sua atuação com servidores públicos, assim como em novos produtos voltados às áreas de acessibilidade e educação corporativa. Na plataforma, atualmente, a gamificação também é aprimorada.
"Toda vez que o funcionário bate ponto na hora, que ele não tem atraso, que faz os estudos e todo o engajamento com a plataforma, ele vai ganhando Emocoins e vai tendo um ranqueamento", conta o empreendedor.
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