Fim da escala 6x1 pode encarecer imóveis em 5,5%, aponta estudo
Levantamento da Abrainc aponta que a redução da jornada semanal de trabalho pode excluir até 2,5 milhões de famílias do financiamento habitacional
Por Adriano Queiroz
Notícia
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Publicado às 06:00, 29/10/2026
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Resumo
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A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar o preço dos imóveis em 5,5%
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O encarecimento pode deixar 2,5 milhões de famílias sem acesso ao crédito imobiliário
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O impacto está ligado ao peso da mão de obra e à reorganização das equipes de obra
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Especialistas alertam que o aumento de custos sem ganhos de produtividade afetará o comprador
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A alta de preços dificulta a compra principalmente para quem busca o primeiro imóvel
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Mudanças nos custos impactam diretamente o planejamento e os lançamentos das incorporadoras
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Além da redução da jornada, a reforma tributária também deve encarecer o setor imobiliário
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Representantes da construção civil recomendam antecipar a compra para pegar os preços atuais
Um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), em parceria com a Ecconit, estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, com o fim da escala 6x1, pode elevar em 5,5% o valor dos imóveis e impactar 2,5 milhões de famílias, que ficariam sem condições de acessar o crédito imobiliário.
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Segundo o levantamento, o impacto estaria relacionado ao peso da mão de obra na construção civil e à necessidade de reorganizar as equipes para manter o ritmo das construções, em um contexto de redução da jornada.
A Abrainc afirma em nota à imprensa que os empreendimentos imobiliários envolvem ciclos longos de produção e que mudanças nos custos podem repercutir no planejamento das incorporadoras, nos preços de lançamento e nas condições oferecidas aos consumidores.
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Conforme o especialista de mercado e fundador da Okre Imóveis, Paulo Dornelle, a discussão precisa considerar como os aumentos nos custos podem afetar o consumidor. “O preço de um imóvel depende de diferentes fatores, como o custo do terreno, os materiais, a mão de obra e as condições de mercado. Se a mudança na jornada elevar os custos da construção sem ganhos de produtividade que compensem essa diferença, parte dessa pressão poderá chegar ao preço final”, pontua.
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“Isso é especialmente relevante para quem está planejando comprar o primeiro imóvel e já precisa equilibrar o valor da entrada com as parcelas do financiamento”, ressalta.
Segundo explica a Abrainc, o acesso ao crédito depende de fatores como renda familiar, valor do imóvel, entrada disponível, taxa de juros e comprometimento mensal da renda.
Nesse contexto, de acordo com a associação, um aumento no preço da compra pode fazer com que famílias próximas ao limite de financiamento deixem de se enquadrar nas condições exigidas pelas instituições financeiras.
“O mercado imobiliário já enfrenta um desafio, que é conciliar o preço dos imóveis com a capacidade de compra das famílias. Quando você aumenta o custo de produção, esse custo vai acabar sendo repassado ao comprador. É claro que as empresas podem buscar ganhos de produtividade, reorganizar equipes e absorver parte desse impacto”, pondera Ramiro Delgado, CEO do Trade Imobiliário.
“Mas nem todo aumento de custo pode ser compensado apenas com eficiência, principalmente em um setor que depende de mão de obra presencial. Uma mudança dessa dimensão precisa vir acompanhada de uma discussão sobre produtividade, qualificação profissional e medidas para evitar que o custo adicional recaia sobre o consumidor”, acrescenta.
Reforma tributária também preocupa
Já o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias de Sousa, acrescenta um outro ponto de preocupação, além do fim da escala 6x1.
“A gente certamente terá um ajuste de custos tanto pela escala 5x2 como pela reforma tributária. Então, eu costumo dizer que quem quiser comprar seu imóvel a hora é essa porque ainda vai pegar os preços com custo anterior”, aconselha.
“A gente vai ter o incremento de preço para o ano que vem. Vai ser bem desafiador, mas enfim a gente está muito esperançoso de que o mercado fique bem, até porque o setor da construção civil é a mola propulsora da economia”, exalta.
Apesar disso, ele demonstrou preocupação com as primeiras reações do mercado financeiro à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Esperamos que isso aí seja só o momento que passou da eleição e que a gente consiga ter uma estabilidade para que com a economia estável a gente consiga ter mais lançamentos”, avalia. (Colaborou Maria Clara Moreira)
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