As urnas falaram

Numa disputa eleitoral, quando as urnas falam, está falado — exceto para quem desobedece às suas regras.
Nas eleições de 2022, após ter sido derrotado, cinica e antidemocraticamente, o candidato Jair Bolsonaro culpou as urnas eletrônicas de terem sido fraudadas e de haverem funcionado contra ele e a favor do então candidato Lula. Afinal de contas, nas referidas eleições, o nosso Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, e este, dali para a frente, para os bolsonaristas, foi transformado num ferrenho inimigo do próprio Jair Bolsonaro.
Nas eleições de 2026, após ter sido derrotado pelo mesmo candidato, Lula, em vez de reconhecer a sua derrota, Flávio Bolsonaro acusou o processo eleitoral de ter sido fraudado e, em razão disso, disse que iria solicitar a anulação das referidas eleições.
Nada poderia ser mais inconsistente do que quando um candidato é derrotado e passa a alegar a existência de suposta fraude — a exemplo da prorrogação do prazo para o encerramento da votação das 17h para as 19h —, quando a referida prorrogação foi solicitada pelos defensores de ambas as candidaturas e aceita pelo presidente do nosso TSE, este presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, não raramente, mas recorrentemente acusado de ser bolsonarista, visto que chegou ao STF por indicação do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas vamos à inequívoca comprovação dos resultados alcançados pelos dois candidatos e expressos em números. No 2º turno, o candidato Lula obteve exatos 64.256.232 votos e o candidato Flávio Bolsonaro, 59.826.041 votos, portanto, uma diferença de 4.430.191 votos — resultados que nenhum dos nossos institutos de pesquisas havia previsto.
Em termos percentuais: Lula obteve 51,79% dos votos e Flávio Bolsonaro, 48,21%. Neste particular, nenhum dos nossos institutos de pesquisas, inclusive os mais conceituados — entre eles o Datafolha e o Quaest —, fica nos devendo as devidas explicações, até porque, entre o 1º e o 2º turno, quando muito, em suas pesquisas, o candidato Lula aparecia tecnicamente empatado com o candidato Flávio Bolsonaro.
Bem diz o ditado popular: “Tal pai, tal filho”. Portanto, ao não aceitar os resultados das eleições que vieram a derrotá-lo, o candidato Flávio Bolsonaro se espelhou no exemplo do seu pai nas eleições de 2022.
Daí a pergunta que não quer calar: estamos correndo o risco de ter que enfrentar uma nova tentativa de golpe de Estado? Na minha impressão, não. Isso porque a nossa chamada direita não mais irá se render ao ex-presidente Jair Bolsonaro que, embora preso e condenado, impôs a candidatura do seu filho, Flávio Bolsonaro.
Neste particular, o que o governador Tarcísio de Freitas irá dizer?
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