Grupo de Olinda leva frevo, coco e maracatu para Moçambique
A partir desta quinta-feira (29), a cidade de Beira, em Moçambique, terá contato com um pouco da cultura de Pernambuco através da música e da dança. Isso porque o grupo olindense de dança Fuzuê dá início a uma série de oficinas de criação artística coletiva, seguidas de apresentações. As atividades reúnem os pernambucanos e artistas moçambicanos para estudos de frevo, coco e maracatu, com uma agenda que segue por oito dias, até a sexta-feira (6 de novembro), na principal cidade da província de Sofala, no país da África oriental.
Os encontros artísticos passarão por quatro centros culturais em Beira: a Casa do Artista (quinta-feira, 29), o Camões Centro Cultural Português (30), a Associação R. I. C. A. (3 de novembro) e o Espaço Orún (5). A proposta é fazer dos encontros um intercâmbio que resulte em criações conjuntas. O grupo Fuzuê aponta que a cultura popular se mantém viva através da transmissão de saberes entre gerações e a partir das trocas de repertórios entre territórios distintos, possibilitando novas criações. As criações coletivas serão apresentadas numa mostra no dia seis de novembro.
O espetáculo autoral “Referências do Fuzuê: mestras, mestres e terreiros” terá três apresentações: no centro cultural Camões (sábado, 31), na Associação R. I. C. A. (dia 4) e no Espaço Orún (dia 5). O grupo leva ao palco os ritmos, movimentos e elementos simbólicos inspirados no centro de educação e cultura Daruê Malungo, no Maracatu Nação Encanto da Alegria e no tradicional grupo de caboclinhos Tribo Carijós. A montagem tem participação do artista moçambicano Tsumb Manuel Castomo Mussundza.
Antropólogo, arte educador, contador de histórias, bailarino e coreógrafo, Mussundza contribuiu para a construção artística e pedagógica do trabalho a partir de suas experiências com dança, musicalidade e oralidade. A chegada do grupo à cidade moçambicana de Beira dá continuidade ao intercâmbio, iniciado durante a criação do espetáculo em Pernambuco. As atividades integram o projeto “Referências do Fuzuê: mestras, mestres, terreiros e encruzilhadas”, que conta com apoio de recursos públicos Funcultura, da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.
Patrícia Fernandes, diretora do Grupo Fuzuê, considera a circulação uma oportunidade de aprofundar relações construídas a partir das referências da cultura popular. “Esse projeto nasceu da escuta dos mestres e mestras da cultura popular e do reconhecimento de que nossos corpos carregam histórias, memórias e conhecimentos que atravessam gerações. Viemos compartilhar o frevo, o coco e o maracatu, mas, sobretudo, aprender, trocar experiências e construir novos caminhos com os artistas moçambicanos”, afirma Fernandes.
Ela deseja que os aprendizados do intercâmbio cheguem também às periferias de Olinda. “Queremos que essa travessia fortaleça os vínculos entre nossos territórios e que os conhecimentos produzidos aqui também retornem às comunidades pernambucanas. A cultura popular é viva, está em movimento e continua se reinventando a partir desses encontros”, conclui. Após a passagem por Moçambique, o projeto prevê a continuidade das atividades em Pernambuco, com atividades formativas, exibição de um minidocumentário do intercâmbio e a criação de um novo trabalho artístico com apresentações previstas no Recife, em Nazaré da Mata, Tamandaré e Gravatá.
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