Tripulante filmou desde decolagem até acidente com helicóptero dos bombeiros Um segundo antes do acidente, vídeo mostra o surgimento da Serra do Amolar, em Ouro Preto, em meio às nuvens
O relatório final divulgado nessa quarta-feira (28/10) pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente aéreo com o helicóptero do Corpo de Bombeiros mostra que um dos tripulantes da aeronave registrou todo o trajeto feito pela aeronave. O Arcanjo 4, como era chamado o helicóptero, bateu na Serra do Amolar, em Ouro Preto, em outubro de 2024, e deixou seis mortos.
Conforme o documento, o voo foi parcialmente registrado em dois vídeos. O primeiro, captado por um observador externo, registrou a aeronave decolando do trevo rodoviário. O segundo vídeo, mais completo, foi registrado por um tripulante operacional que estava no assento do lado direito da parte traseira da aeronave. O vídeo mostra desde a decolagem até o impacto.
Apesar da informação, o vídeo não foi divulgado pelo Cenipa, que é um órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). Frames, contudo, foram disponibilizados no documento. Todo o voo durou 56 segundos. Segundo o Cenipa, aos 17 segundos, a tripulação estava em voo estabilizado e ainda com contato visual com o solo. Dez segundos depois, a aeronave entrou em uma área com visibilidade reduzida progressivamente.
Aos 30 segundos de voo, a tripulação perdeu o contato visual com o solo, passando a entrar em uma área em que era possível apenas apenas a operação por meio de instrumentos devido às condições meteorológicas adversas. Aos 55 segundos, o vídeo mostra o surgimento abrupto da serra, a um segundo antes do impacto, que ocorreu a 1.531 metros de altitude.
O vídeo foi avaliado pelo Laboratório de Análise de Dados de Gravadores de Voo (LabData) do Cenipa, que realizou a filtragem de ruídos e a análise espectral do áudio, com o objetivo de identificar eventuais sinais de voz ou alertas sonoros. Como resultado, não foram identificados sinais que caracterizassem a presença de voz ou outros alertas no áudio analisado. O laboratório, entretanto, ressaltou que a elevada intensidade dos ruídos dos motores e demais componentes da aeronave pode ter encoberto possíveis diálogos ou sons de advertência, não sendo possível confirmar a inexistência dessas manifestações durante o voo.
A investigação apontou que a visibilidade horizontal no momento da decolagem era de aproximadamente 180 metros, valor insuficiente para a operação da aeronave sob voo visual. Não foi possível constatar se o Enhanced Ground Proximity Warning System (EGPWS), um sistema de alerta de proximidade com o solo, foi usado pela tripulação, “uma vez que esse modelo de aeronave não possuía sistema de registro de dados capaz de evidenciar tal informação”. “Ressalta-se que o treinamento periódico não contemplava qualquer tipo de familiarização ou manuseio do equipamento EGPWS”, pontuou o Cenipa.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
