Justiça nega novo habeas corpus de Deolane; defesa pretende recorrer ao STJ
O TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou, nesta terça-feira (27), mais um habeas corpus apresentado pela defesa da advogada e influenciadora Deolane Bezerra.
A defesa de Deolane contestou a decisão e afirma que vai recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). A influenciadora está presa desde o dia 21 de maio desse ano por suspeita de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Ela é acusada no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Em nota à imprensa, os advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, que atuam na defesa de Deolane, afirmaram discordar do entendimento adotado pelo tribunal. Segundo a defesa, a questão envolve garantias constitucionais relacionadas ao devido processo legal.
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Os advogados argumentam que a própria acusação reconhece o suposto caráter transnacional dos crimes investigados e a existência de possíveis interesses da União. Para a defesa, esses elementos reforçam o entendimento de que a Justiça estadual não seria competente para julgar o caso.
A defesa também classificou a prisão preventiva de Deolane como ilegal e desnecessária. Os advogados reiteraram que a influenciadora é inocente das acusações e afirmaram que ela ainda demonstrará isso durante o processo. Segundo a nota, Deolane não teve a oportunidade de se defender na fase de inquérito e sequer foi ouvida nessa etapa.
O habeas corpus foi negado por unanimidade pela 16ª Câmara de Direito Criminal do TJSP, que também manteve o entendimento de que o caso deve permanecer na Justiça estadual.
Acusação contra Deolane
O MPSP (Ministério Público de São Paulo) aponta que a ré integrava o núcleo financeiro e a arquitetura de lavagem de capitais da facção. Ela utilizaria sua “aparente respeitabilidade social” e engajamento nas redes para ocultar recursos ilícitos e dar uma fachada legal ao dinheiro.
A investigação afirma que houve uso de pessoas jurídicas para a circulação de valores. Relatórios ligam Deolane a movimentações incompatíveis com a empresa Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes), usada pela cúpula do PCC, além da suspeita de abertura de dezenas de empresas no mesmo endereço para fracionar e mascarar os repasses.
O inquérito coloca Deolane em conexão direta com o núcleo de comando da facção. O processo que acusa Deolane é o mesmo que também mira Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, além de irmãos e sobrinhos do líder criminoso. O principal elo financeiro direto entre eles seria Everton de Souza, o “Player”.
Deolane Bezerra: veja a linha do tempo do caso da influencer
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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