BRASIL Estudantes de medicina atacam bolsistas após vitória de Lula
Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite de domingo, 25, dois estudantes de Medicina, ambos de 19 anos, do Centro Universitário Imepac, em Araguari, no Triângulo Mineiro, ofenderam colegas bolsistas em um grupo de WhatsApp. Eles se tornaram alvo de um processo administrativo disciplinar.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas.
Tudo sobre Brasil em primeira mão!Nos áudios, que passaram a circular nas redes sociais, os universitários insultam estudantes beneficiados pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As ofensas foram direcionadas aos colegas que vendem trufas e outros produtos para complementar a renda e custear as despesas durante a graduação.
“Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa […]. Vai todo mundo se fud**. Pega a porr* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a porr* do MST”, disse um dos estudantes.
Em outro áudio, uma estudante ameaça boicotar a venda de produtos feita por colegas identificados como eleitores do PT.
“Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado. Vai enfiar tudo no c*, seus petistas do caralh* […]. Quero que vocês enfiem essas merd* que vocês vendem tudo no meio do c*, seus petistas do caralh*”, falou.
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Um boletim de ocorrência por difamação foi registrado contra os responsáveis pelas mensagens na manhã de quarta-feira, 28.
O que diz a faculdade
Depois da repercussão dos áudios, o Centro Universitário Imepac divulgou um comunicado oficial repudiando manifestações de intolerância e discriminação, sejam motivadas por convicções políticas ou pela condição socioeconômica dos estudantes.
A faculdade disse que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os episódios relatados e avaliar a adoção de medidas cabíveis, respeitando as normas internas e o direito de defesa dos envolvidos.
“O Centro Universitário IMEPAC repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica”, afirmou.
Além disso, a instituição declarou que disponibilizou canais de acolhimento e suporte aos estudantes atingidos e reforçou o compromisso com um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e livre de discriminação.
Leia a nota na íntegra:
"O Centro Universitário IMEPAC repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica. A instituição reafirma seu compromisso com a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e o respeito as diferenças, princípios fundamentais para a convivência acadêmica e a formação ética e humanizada dos futuros profissionais.
Diante dos episódios de intolerância relatados nesta semana contra estudantes, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos e adotar as medidas cabíveis, com rigorosa observância das normas regimentais e do direito de defesa.
A instituição também disponibiliza acolhimento e suporte aos estudantes atingidos, por meio de seus canais de apoio, e reforça que todos têm direito a um ambiente universitário seguro, inclusivo e livre de discriminação".
Diretório acadêmico também se pronunciou
O diretório acadêmico do curso de medicina também divulgou uma nota de repúdio aos episódios, classificando as manifestações como ataques de cunho pessoal, ofensivo e intolerante contra integrantes da comunidade universitária.
A entidade estudantil destacou que agressões verbais, intimidações e desrespeito à dignidade humana são incompatíveis com os princípios éticos, democráticos e civilizatórios que devem orientar a convivência acadêmica.
Por fim, o diretório afirmou que mantém contato frequente com a instituição de ensino para cobrar providências. “Não toleramos e jamais vamos nos calar diante de posturas que violem a integridade de seus integrantes”, destacou a entidade.

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