Diário do Rio de Janeiro
29/10/2026 09:30

Empresas em nome de laranjas: polícia mira esquema com mais de R$ 100 milhões em débitos no Rio

Polícia Civil - Divulgação

Um grupo empresarial do setor varejista é investigado por supostamente utilizar pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, para esconder os verdadeiros responsáveis por empresas e evitar o pagamento de impostos. O esquema é alvo de uma operação da Polícia Civil nesta quinta-feira (29/10), após a identificação de mais de R$ 100 milhões em débitos tributários relacionados aos negócios investigados.

De acordo com informações divulgadas pelo g1, a ofensiva, batizada de Operação Denário, é conduzida pela Delegacia Fazendária (Delfaz), com apoio da Secretaria de Estado de Fazenda. Ao todo, os agentes cumprem 16 mandados de busca e apreensão em diferentes endereços da cidade do Rio de Janeiro.

As apurações indicam que, embora os estabelecimentos estivessem registrados em nome de pessoas diferentes, a administração dos negócios estaria concentrada nas mãos de um único grupo. A estratégia teria sido utilizada para dificultar o rastreamento dos responsáveis pelas empresas e reduzir ou deixar de recolher tributos.

Um dos principais alvos da investigação é apontado como responsável por organizar e administrar a rede empresarial. Segundo a polícia, ele teria recorrido a terceiros para registrar os negócios, mantendo sua participação fora dos documentos oficiais.

Cruzamento de dados revelou débitos milionários

O avanço das investigações foi possível a partir de levantamentos realizados pela Secretaria de Fazenda, que analisou informações fiscais das empresas suspeitas. O cruzamento dos registros permitiu identificar débitos tributários que, somados, ultrapassam R$ 100 milhões.

Nesta etapa da operação, os policiais procuram documentos, computadores, celulares e outros materiais que possam revelar a estrutura administrativa e financeira do grupo, além de esclarecer a participação de cada investigado.

A investigação também busca identificar se outras pessoas ou empresas participaram das supostas irregularidades. O objetivo é compreender a extensão do esquema e reunir elementos que permitam responsabilizar os envolvidos.

Até o momento, não foram divulgados os nomes das empresas investigadas nem a localização exata dos endereços que recebem as buscas.

Ana Clara Silva

Carioca, jornalista e flamenguista. Nessa ordem (às vezes não).

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