Endividamento das famílias brasileiras chega a 50,1%, aponta Banco Central
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 50,1% em agosto, enquanto 20,3 milhões de pessoas foram classificadas como endividadas de risco. Os dados do Banco Central (BC), divulgados nesta semana, mostram a dimensão das dificuldades financeiras enfrentadas pelos consumidores e os desafios para conter o avanço das dívidas no país.
O percentual de endividamento subiu 0,2 ponto percentual em agosto, em comparação com julho, e acumulou alta de 1,2 ponto percentual em 12 meses. Já o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de débitos atingiu 29%, após aumentos de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,4 ponto percentual em um ano.
As informações sobre o endividamento constam do relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado nesta quinta-feira (29). O cenário persiste mesmo após o lançamento do programa Desenrola Brasil, anunciado no início de maio para facilitar a renegociação de débitos e reduzir o volume de contas pendentes da população.
Inadimplência mantém estabilidade no mês, mas sobe em um ano
A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 5% em setembro. Embora o índice não tenha variado em relação a agosto, houve aumento de 0,9 ponto percentual na comparação com o mesmo período de 2025.
O comportamento foi diferente entre consumidores e empresas. A taxa de inadimplência das pessoas físicas permaneceu em 6%, enquanto a das pessoas jurídicas recuou 0,1 ponto percentual, chegando a 3,3%.
Nas operações de crédito com recursos livres, modalidade em que as taxas e as condições dos empréstimos e financiamentos são negociadas diretamente entre bancos e clientes, o índice de inadimplência permaneceu em 6,6%.
A situação também aparece no Relatório de Estabilidade Financeira, publicado na terça-feira (27). Segundo o documento, 20,3 milhões de brasileiros foram classificados como endividados de risco, grupo que reúne pessoas com probabilidade significativa de não conseguir honrar os compromissos financeiros assumidos.
Em setembro, o governo anunciou uma nova modalidade do Desenrola Brasil para atender pequenas dívidas com atrasos entre dois e quatro anos e meio, limitadas a R$ 10 mil. A estimativa é de que a iniciativa envolva R$ 15 bilhões.
Apesar das medidas de renegociação, os indicadores divulgados pelo Banco Central mostram que o endividamento das famílias continuou avançando. Os números, contudo, não permitem atribuir essa evolução exclusivamente ao desempenho do programa.
Novas regras para crédito começam a ser implementadas em 2027
Para reduzir os riscos de endividamento excessivo, o Banco Central aprovou, na sexta-feira (23), três resoluções que alteram regras para a oferta e a contratação de crédito no Brasil.
As medidas estabelecem restrições à publicidade de empréstimos, ampliam a transparência das informações sobre as dívidas dos consumidores e criam novas exigências para a concessão de crédito durante transações realizadas pelo Pix.
O objetivo é ampliar a proteção dos clientes e diminuir os riscos financeiros, sobretudo entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade. As instituições financeiras deverão se adaptar às novas regras ao longo de 2027.
Entre as mudanças previstas está a disponibilização de ferramentas para que os consumidores possam bloquear ofertas de crédito e consultar informações sobre suas dívidas antes de contratar novos empréstimos.
A preocupação com o endividamento excessivo também foi registrada na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). No documento, o Banco Central informou que prepara medidas para reduzir os riscos associados ao uso de modalidades de crédito com juros mais elevados, que têm participação significativa nas dívidas das famílias.
Segundo a instituição, as iniciativas buscam tornar a concessão de crédito mais sustentável e fortalecer a capacidade do sistema financeiro de enfrentar possíveis dificuldades.
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