POLÍTICA Jerônimo cobra oposição por resultado das urnas e cita Jaques Wagner
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), criticou o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), ao comentar a possibilidade de diálogo entre grupos políticos adversários após as eleições.
Em entrevista ao portal A TARDE, na quinta-feira, 29, durante visita ao Grupo A TARDE, o petista acusou o adversário de não reconhecer o resultado das eleições estaduais e classificou como preconceituoso o discurso de que seria necessário “mudar o Brasil para depois mudar a Bahia”.
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A declaração foi dada após uma pergunta sobre a possibilidade de retomar um diálogo entre a esquerda e a direita, a exemplo de gestos de reconhecimento entre adversários políticos em eleições anteriores.
Jerônimo afirmou que esperava uma postura diferente de ACM Neto após a disputa pelo governo baiano.
Ele até hoje nunca me ligou para reconhecer o gesto de ter perdido as eleições para governador Jerônimo Rodrigues - governador da Bahia
Governador relembra transição entre Paulo Souto e Jaques Wagner
Para explicar sua avaliação sobre o diálogo político, Jerônimo citou a transição de governo realizada em 2006, quando Jaques Wagner (PT) venceu Paulo Souto (então no PFL) na disputa pelo governo da Bahia.
O governador relembrou que houve contato entre os dois após o resultado, com uma conversa sobre a continuidade da administração estadual.
Jerônimo disse que também havia se preparado para reconhecer uma eventual derrota nas eleições e garantir uma transição organizada. Ele afirmou que, mesmo confiante nas pesquisas internas, considerava a possibilidade de perder e pretendia parabenizar o adversário caso isso acontecesse.
“Eu daria parabéns a ele. E diria a ele que eu quero fazer uma transição grandiosa”, afirmou, ao descrever como imaginava que agiria diante de uma derrota.

Jerônimo critica declaração sobre “mudar o Brasil para depois mudar a Bahia”
O governador também criticou uma declaração atribuída a ACM Neto sobre a necessidade de mudar o Brasil antes de promover mudanças na Bahia. Jerônimo comparou essa fala a declarações depreciativas sobre o Nordeste e afirmou que o estado teve papel importante em disputas políticas nacionais.
“Ele diz que a Bahia é um problema e que tem que consertar o Brasil para depois consertar a Bahia; ele tem que saber que foi a Bahia quem ajudou a consertar o Brasil no dia 2 de julho”, declarou.
Na sequência, o governador citou a participação do eleitorado baiano nas eleições presidenciais de 2022 e 2026, defendendo que a votação no estado contribuiu para os resultados nacionais. Jerônimo, porém, não apresentou números detalhados durante a entrevista para sustentar a comparação sobre a diferença de votos.
Governador defende diálogo após as eleições
Apesar das críticas, Jerônimo afirmou que adversários políticos podem manter posições divergentes e exercer funções de oposição, fiscalização e contestação judicial, mas devem participar da construção do país.
“Faça oposição, faça fiscalização, denuncie, entre na Justiça. Mas nós temos que participar dessa construção”, disse.
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