PolíciaPF apura suspeitas contra Paulo Guedes em investigação envolvendo empresa de criptomoedas
A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles, os dois constam como investigados em um inquérito instaurado em fevereiro de 2026, que tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná.
O procedimento é classificado como criminal e tem como assunto principal possíveis crimes previstos na Lei nº 7.492/1986, que trata de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. A investigação está sob responsabilidade da Polícia Federal no Paraná, com participação do Ministério Público Federal. A inclusão dos nomes no inquérito não significa que os investigados tenham sido condenados ou que as suspeitas estejam comprovadas.
A apuração ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX no mercado de ativos digitais. Conforme reportagem anterior do Metrópoles, a empresa captou recursos de investidores com a promessa de rendimentos que poderiam chegar a 2,8% ao mês. Clientes relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado, enquanto a companhia nega irregularidades e afirma atuar de acordo com as regras do mercado de ativos virtuais.
De acordo com a publicação, Paulo Guedes prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas e de encontros com potenciais investidores. Sua imagem também teria sido utilizada em materiais de divulgação da companhia. Em uma publicação da própria OnilX, o ex-ministro apareceu ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião apresentada como de relevância estratégica para os negócios.
Guedes também participou de eventos voltados a investidores e assessores ligados à empresa. Em uma das apresentações, diante de uma plateia de quase 500 pessoas, teria elogiado a companhia e destacado sua atuação no desenvolvimento do mercado digital.
A relação entre o ex-ministro e a OnilX também foi mencionada em processos judiciais movidos por investidores. Em uma das ações, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma ter mantido e ampliado os investimentos após participar de uma reunião com Guedes na sede da companhia, em abril. Segundo os autores do processo, houve uma tentativa de resgatar os recursos quatro meses depois, mas o valor não teria sido devolvido.
Em outro caso citado pelo Metrópoles, uma assessora vinculada à empresa teria mencionado a participação de Guedes para tentar convencer um potencial cliente a investir. Conforme uma mensagem anexada ao processo, ela afirmou que o ex-ministro estava ligado à companhia e que poderia participar de uma reunião para discutir estratégias com interessados que dispusessem de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para aplicação.
A OnilX também passou a enfrentar medidas regulatórias. Em janeiro de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, segundo a reportagem, a autarquia manteve a determinação e esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento característico de valor mobiliário.
O levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro deste ano. Nos processos, investidores relatam dificuldades para retirar recursos aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins. Algumas ações também levantam suspeitas de funcionamento semelhante ao de uma pirâmide financeira, acusações que a empresa contesta.
O inquérito foi registrado em 10 de fevereiro na 9ª Vara Federal de Curitiba. O andamento processual mencionado na reportagem aponta a realização de diligências ao longo do ano. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Em outubro, o procedimento continuou apresentando movimentações, incluindo novas petições e diligências policiais.
Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também aparecem na defesa de Fábio Lino no inquérito, segundo a publicação. Procurados pelo Metrópoles, os advogados não responderam aos contatos até a divulgação da reportagem. O espaço para manifestação da defesa permanece aberto.
A investigação busca apurar possíveis irregularidades no âmbito do sistema financeiro. Até que haja conclusões das autoridades e decisões judiciais, as suspeitas relacionadas a Guedes, Fábio Lino e à empresa devem ser tratadas como alegações sob apuração, sem antecipar responsabilidade criminal.
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