Jornalista é excluído 3 vezes de grupo e questiona a liberdade de expressão
O jornalista Mário Quevedo, correspondente do Rondônia ao Vivo, foi excluído três vezes do grupo de WhatsApp Julinho Notícias, em Vilhena
Após ser retirado na segunda-feira (26) e novamente na terça-feira (27), ele foi reinserido sem solicitar o retorno na quarta-feira (28), mas acabou removido outra vez na madrugada desta quinta-feira (29).
Segundo Quevedo, as exclusões foram decididas por Elione Russo, um dos administradores do grupo. O espaço leva o nome do radialista Júlio Silva, conhecido como Julinho da Rádio, da Positiva FM, mas o jornalista afirma não responsabilizar o comunicador pelas decisões.
Administrador diz ser o “STF do grupo”
Após a primeira exclusão, Quevedo procurou Russo para questionar o motivo. Recebeu a seguinte resposta:
“E mesmo? Seu presidente e seu sistema bloqueou muita gente. Ai quando e com vc aí vc acha ruim? Eu sou o STF do grupo. Vc foi sensurado”. Escrito exatamente dessa forma, com gritante erro gramatical.
Na terça-feira, após ser excluído novamente, Quevedo decidiu preparar um artigo sobre o episódio para publicação no Rondônia ao Vivo.
Na manhã de quarta-feira, avisou a um amigo jornalista que também administra o grupo que não pediria para voltar e que pretendia apenas relatar o caso.
O texto foi encaminhado à redação e compartilhado previamente com o colega, pois não o queria pegar de surpresa em virtude de sua consideração pelo radialista cujo nome denomina o grupo. No final da tarde, Quevedo percebeu que havia sido reinserido no grupo sem solicitação.
Por isso, suspendeu a publicação do artigo e agradeceu ao amigo. Em seguida, fez postagens sobre política nacional, que, segundo ele, não continham ofensas ou ataques pessoais.
A reintegração durou poucas horas. Na madrugada desta quinta-feira, o jornalista percebeu que havia sido excluído novamente.
Dessa vez, Russo escreveu:
“E vai sair dinovo. Vai reclamar no STF que eu tirei vcs do grupo. Queer falar oq quer cria um grupo pra eles aqui não se cria”.
Para Quevedo, as mensagens demonstram que as decisões sobre a permanência dos participantes são tomadas pelo administrador. Ele também criticou os erros de escrita nas respostas, considerando contraditório o discurso patriótico associado ao grupo.
“Um Patriota que massacra o idioma pátrio chega a ser até ridículo”, ironiza.
“Não faço mais questão de estar no grupo”
Após a terceira exclusão, Quevedo afirma que não pretende retornar ao espaço, mesmo que seja novamente adicionado. Ele também lamenta que o episódio envolva o nome de Julinho Silva, por quem diz ter amizade, respeito e admiração.
O jornalista recordou que já realizou trabalhos com o radialista e deu espaço a ele nos veículos de comunicação em que atua. Também afirmou que o apoiou quando Julinho concorreu à Prefeitura de Vilhena.
“Tenho tanto respeito e consideração por Julinho que até já votei e pedi votos para ele, quando concorreu a prefeito de nossa cidade”, declarou.
Quevedo descreveu Julinho como um comunicador destemido, conhecido por abordar diferentes assuntos e abrir espaço para opiniões diversas na Rádio Positiva FM.
Por isso, considera lamentável que o nome do radialista esteja associado a uma situação que, segundo ele, não foi provocada diretamente pelo comunicador.
O correspondente afirma ter suspendido a publicação do primeiro artigo justamente para evitar constrangimentos ao amigo, que considera não ter responsabilidade pelas exclusões.
Debate sobre liberdade de expressão
Para Quevedo, o caso expõe uma contradição entre os discursos em defesa da liberdade de expressão e a exclusão repetida de um participante de um grupo de debates.
Embora reconheça que administradores de espaços privados podem estabelecer regras, ele questiona os critérios utilizados e a forma como as decisões foram conduzidas.
“A única regra adotada foi a que censura a quem não se alinhe ao pensamento do Patriota em questão”.
O jornalista relaciona o episódio ao clima de polarização política após as eleições de domingo e afirma que suas publicações sobre o caso se limitaram a relatar os acontecimentos e discutir a liberdade de expressão.
“E vale a pena lembrar que estou nesse grupo há muito tempo, minhas postagens sempre foram desse jeito, porém só agora, de segunda-feira em diante, esse idoso infantilizado ficou incomodado”, acrescenta Quevedo.
Quevedo diz não ter mais interesse em participar do grupo e decidiu tornar públicos os acontecimentos, relatando a sequência de exclusões e as mensagens recebidas do administrador.
Ele ressalta que sua crítica é direcionada à conduta que atribui ao administrador, e não a Julinho Silva, a quem considera amigo e não responsabiliza pelo ocorrido.
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