Empresas na Bolsa perdem R$ 873 bilhões em valor de mercado após o 2º turno
A sangria da bolsa brasileira vem se prolongando desde o resultado do segundo turno, que chancelou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na segunda-feira (26), a bolsa viu um circuit breaker e um tombo de quase 14% em um único pregão.
As quedas seguiram entre terça-feira (27) e quarta-feira (28) e o balanço, até agora, é de uma perda de R$ 873 bilhões no valor de mercado consolidado de todas as empresas listadas na B3, segundo levantamento realizado pela Elos Ayata.
Leia Mais
-
Contas do governo registram superávit de R$ 4,8 bilhões em setembro
-
Estoque de crédito no Brasil sobe 0,4% em Setembro, diz BC
-
Proposta do TCU para CBS acende alerta para IVA de 30% no Brasil
Os investidores seguem reprecificando as expectativas, principalmente, com relação ao que esperar sobre a política monetária da próxima gestão Lula. Os agentes desmobilizaram posições enquanto grandes bancos revisaram suas recomendações de exposição ao Brasil.
Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros argumentando que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.
A BCA vê ainda riscos crescentes de inadimplência, perspectivas de crescimento mais fracas e pressões inflacionárias decorrentes de uma moeda mais fraca.
Outro relatório importante que baliza a atual corrente do mercado financeiro é o da Moody’s. A agência de classificação de risco pontua que a ausência de um perfil mais firme com a consolidação fiscal pode pressionar o perfil de crédito do Brasil ao longo do tempo.
A instituição avalia que a reeleição de Lula deve manter a atual trajetória da política fiscal, com ajustes graduais, prolongando os déficits nominais, os custos elevados de financiamento e o aumento dos encargos da dívida pública.
Outro fator que contribuiu para esse resultado foi a alta dos juros futuros. Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos e têm se estabilizado em patamares mais elevados. Na manhã desta quinta-feira (29), a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,43%.
O forte desmonte de posições dos investidores após a eleição e a perspectiva mais pessimista sobre a trajetória da política monetária brasileira vai além das ações e pressiona também as gestoras.
Um levantamento de rentabilidade de fundos ao qual a analista de Economia do CNN Money, Lucinda Pinto, teve acesso aponta quedas de até 21% entre os multimercados da amostra.
Nas estratégias que combinam posições compradas e vendidas, mas mantêm maior exposição à alta das ações, as perdas chegaram a superar 40% em um único dia.
Diante dessa mudança abrupta de cenário e de projeções, o mercado passa a ver menor espaço para que o Banco Central continue reduzindo a taxa de juros no país. Atualmente, a Selic opera em 13,75% ao ano.
Na próxima semana, o Copom deve se reunir para uma nova decisão sob pressão desse novo cenário que vem se desenhando ao longo dos últimos dias.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
