Trump diz que Lula pediu para não se envolver em eleição do Brasil
Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (29/10) que não tomou partido nas eleições do Brasil a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na véspera, o presidente americano já havia recusado comentar a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro em que o candidato derrotado se declarava "verdadeiro presidente eleito" e, posteriormente, "líder do Brasil".
A declaração de Trump sobre o pedido de Lula adiciona um novo elemento ao episódio que levou Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil e buscar refúgio nos Estados Unidos. O senador está sob investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro e saiu do país após ser intimado a entregar os passaportes à Polícia Federal.
Na quarta-feira (28/10), ao ser questionado se concordava com a autodeclaração de Flávio, Trump foi direto ao recusar qualquer posicionamento. "Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver", afirmou o presidente estadunidense, que concedeu visto de permanência a Flávio e à família.
Ainda assim, Trump aproveitou a ocasião para questionar o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas. As alegações contradizem o resultado oficial reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que certificou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil pelo quarto mandato.
Trump também afirmou acreditar que Flávio foi tratado de forma injusta no Brasil, mas confirmou não ter conversado com o senador até aquele momento.
Fuga e chegada aos EUA
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil por terra na noite de terça-feira (27/10), cruzando a fronteira com a Argentina. Em seguida, embarcou em um avião privado em Puerto Iguazú, com escala no Equador, antes de pousar em Miami na manhã de quarta-feira (28), mesmo com passaporte cancelado. Acompanharam o senador a esposa e as duas filhas.
A saída ocorreu após o STF determinar a entrega dos passaportes à Polícia Federal. A investigação envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz, acusados em um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria ligação com empresas de Tomaz e casas de apostas. Os dois admitem amizade, mas negam sociedade e qualquer irregularidade.
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