Lula cresce 10,3 milhões de votos no 2º turno; veja desempenhos de candidatos desde 1989
Desde 1989, outros presidenciáveis também ampliaram as próprias votações no 2°; na eleição de 2022, Bolsonaro cresceu mais que Lula entre os turnos
Por Marcelo Bloc
Notícia
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Publicado às 11:53, 29/10/2026
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Resumo
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Lula recebeu 10,37 milhões de votos a mais no segundo turno de 2026, alta de 19,26% em relação ao primeiro turno.
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Em 1989, o petista teve o maior crescimento absoluto de sua trajetória presidencial entre turnos, com 19,45 milhões de votos adicionais.
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Em 2022, Jair Bolsonaro cresceu 7,13 milhões de votos, mais que Lula, que acrescentou 3,08 milhões.
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Em eleições anteriores, candidatos como Aécio Neves e Fernando Haddad também tiveram aumentos expressivos de votação no segundo turno.
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O crescimento entre turnos pode refletir mudanças de escolha dos eleitores, maior comparecimento às urnas e redução de votos brancos e nulos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu 10,37 milhões de votos a mais no segundo turno das eleições de 2026, em comparação com a votação obtida na primeira etapa. O petista passou de 53,87 milhões de votos para 64,25 milhões de votos e ampliou sua participação nos votos válidos de 45,16% para 51,79%.
O crescimento provocou questionamentos nas redes sociais sobre a possibilidade de um candidato ampliar tanto a votação entre os dois turnos. Os resultados de eleições presidenciais desde a redemocratização, porém, mostram que aumentos expressivos já ocorreram em outras disputas, embora em proporções diferentes.
Em 1989, por exemplo, Lula acrescentou 19,45 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turnos. Na ocasião, o petista passou de 11,62 milhões para 31,07 milhões de votos, um crescimento de 167,4% em relação ao 1° turno. Apesar do avanço, ele foi derrotado por Fernando Collor (PRN), que terminou a disputa com 35,09 milhões de votos, 53,03% dos válidos.
O resultado de 1989 é o maior crescimento absoluto de Lula entre turnos de uma eleição, considerando as eleições presidenciais desde a redemocratização. Em 2026, o aumento foi de 10,37 milhões de votos, equivalente a 19,3% sobre o resultado da primeira etapa.
Bolsonaro cresceu mais que Lula em 2022
A comparação com a eleição de 2022 também ajuda a dimensionar o avanço registrado neste ano. Naquele pleito, Jair Bolsonaro (PL) ampliou sua votação em 7,13 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Lula acrescentou 3,08 milhões.
Bolsonaro passou de 51,07 milhões de votos na primeira etapa para 58,20 milhões na segunda, um crescimento de 13,97%. Lula, por sua vez, saiu de 57,25 milhões para 60,34 milhões, alta de 5,39%. Apesar do crescimento maior de Bolsonaro, o então presidente não conseguiu reverter a diferença. Lula venceu a eleição com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% do adversário.
A diferença entre os dois caiu de aproximadamente 6,2 milhões de votos no primeiro turno para 2,1 milhões no segundo.
Em 2026, o movimento foi diferente. Lula acrescentou 10,37 milhões de votos à votação, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 3,72 milhões a mais entre as duas etapas. O candidato petista passou de 53,87 milhões para 64,25 milhões de votos, enquanto Flávio saiu de 56,10 milhões para 59,82 milhões.
O aumento de Lula corresponde a 19,26% de sua votação no primeiro turno. O de Flávio foi de 6,63%.
Votação dos candidatos do 1º para o 2º turno
Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso foi eleito no primeiro turno, sem disputa em segundo turno.
O que ocorreu nas eleições anteriores
A comparação dos resultados desde 1989 mostra que o aumento da votação na segunda etapa variou de acordo com a disputa e os candidatos.
Em 2002, Lula passou de 39,45 milhões de votos no primeiro turno para 52,79 milhões no segundo, acrescentando 13,33 milhões. José Serra (PSDB) também cresceu, de 19,70 milhões para 33,37 milhões, um acréscimo de 13,66 milhões. Naquela eleição, o petista venceu com 61,27% dos votos válidos.
Quatro anos depois, Lula voltou a ampliar sua votação, passando de 46,66 milhões para 58,29 milhões de votos, aumento de 11,63 milhões. Geraldo Alckmin (então no PSDB), por outro lado, perdeu votos entre as duas etapas: caiu de 39,96 milhões para 37,54 milhões. Hoje no PSB, Alckmin é vice-presidente de Lula, reeleito na eleição do último dia 25.
Em 2010, Dilma Rousseff (PT) acrescentou 8,10 milhões de votos à votação do primeiro turno, passando de 47,65 milhões para 55,75 milhões. José Serra, derrotado na disputa, cresceu mais em números absolutos: recebeu 10,57 milhões de votos adicionais, passando de 33,13 milhões para 43,71 milhões.
Na eleição seguinte, em 2014, Dilma aumentou sua votação em 11,23 milhões de votos entre turnos, enquanto Aécio Neves (PSDB) teve um acréscimo ainda maior, de 16,14 milhões. O tucano passou de 34,89 milhões para 51,04 milhões de votos, mas não conseguiu superar a petista, reeleita com 51,64% dos votos válidos.
Em 2018, Jair Bolsonaro (PSL) acrescentou 8,52 milhões de votos à votação do primeiro turno, passando de 49,27 milhões para 57,79 milhões. Fernando Haddad (PT) teve um crescimento maior em números absolutos: saiu de 31,34 milhões para 47,04 milhões de votos, uma diferença de 15,69 milhões. Bolsonaro venceu a disputa com 55,13% dos votos válidos.
Em 1994 e 1998, não houve segundo turno. Nas duas ocasiões, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu a eleição presidencial já na primeira etapa, com 54,28% e 53,06% dos votos válidos.
Maiores aumentos absolutos de votos entre turnos
Votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno, em milhões. Dados das eleições presidenciais desde 1989.
De onde vieram os votos adicionais
O crescimento da votação de um candidato entre os turnos não significa, necessariamente, que todos os votos adicionais vieram de eleitores que haviam escolhido o adversário na primeira etapa. A variação também pode refletir a participação de pessoas que não votaram no primeiro turno, a mudança de eleitores que haviam escolhido candidatos eliminados e a redução dos votos brancos e nulos.
A eleição de 2022 oferece um exemplo de como esses movimentos podem variar entre os estados. Bolsonaro ampliou sua votação em todas as unidades da Federação entre os turnos, enquanto Lula teve menos votos em quatro estados: Amazonas, Roraima, Amapá e Acre. Mesmo assim, o petista venceu a disputa nacional.
Em 2026, Lula ampliou a participação nos votos válidos em todas as unidades da Federação. O maior avanço ocorreu em Goiás, onde sua participação cresceu 9,28 pontos percentuais entre os turnos. São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Amapá também registraram aumentos expressivos. A publicação relaciona parte desse movimento à redução da abstenção e dos votos brancos e nulos.
Os números nacionais, portanto, mostram que o crescimento de Lula em 2026 não é inédito na história das eleições presidenciais brasileiras. Em 1989, o petista teve um aumento absoluto maior, e em 2022 Bolsonaro cresceu mais do que Lula entre as duas etapas.
O resultado de cada disputa, contudo, dependeu não apenas da quantidade de votos adicionais recebidos por cada candidato, mas também da votação inicial e da distribuição dos votos válidos no segundo turno.
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