Opinião A ZFM e a geografia têm afetado o interior do Amazonas – há solução?
Em 1970 o interior abrigava 66% da população do estado, e hoje responde por 47% e em contínua diminuição. Por haver cada vez menos pessoas proporcionalmente a atender, tem recebido naturalmente cada vez menos investimentos públicos, resultando num ciclo permanente de redução.
Este contexto migratório é causado pela demanda da ZFM que atrai do interior tanto a população menos preparada quanto a de nível universitário, ambas sem oportunidade de emprego local.
Por outro lado, a estrutura geográfica onde estão concentrados os municípios está localizada principalmente em barrancos ribeirinhos sobre a maior depressão da crosta terrestre das Américas e por isso encharcada, contigua aos Andes, lhes impondo acesso logístico restrito e dificultando a geração e distribuição de sua riqueza.
Este quadro explicaria a falta de atividade econômica local que tem escrito o seu histórico de desenvolvimento precário.
Embora a capital com sua demanda de 500 mil empregos seja a 6ª economia entre as cidades com maior PIB do Brasil pela existência do PIM – Polo Industrial de Manaus, o interior do Amazonas não pôde tê-la como fonte porque a quase totalidade de sua riqueza é reaplicada em seus próprios limites. A exceção são os obrigatórios aportes públicos para educação e saúde que provém substancialmente de seu funcionamento. Estes benefícios por ela gerados, mesmo que importantes, têm limitação para produzir acréscimos expressivos à economia regional.
Os recursos para P&D gerados pelo PIM são convertidos em reinvestimento principalmente no seu próprio processo industrial gerador, com pouco alcance do interior.
A superação deste quadro em substituição ao PIM nos próximos 47 anos, não deve passar no curto e médio prazo pelas NME – Novas Matrizes Econômicas de origem florestal, cujo conceito é obrigatoriamente não usufruir de incentivos fiscais, porque ainda não há produtos que possam oferecer 500 mil empregos. E quando houver, não é esperada absorção de mão de obra intensiva nos níveis industriais atuais, nem sua fixação em território regional, pelos mesmos fatores geográficos que hoje impedem o interior de se industrializar.
A atividade mineral do estado já é matriz econômica incorporada ao PIB há mais de 30 anos, e será acrescida nos próximos anos pelas futuras explorações das terras raras de Apuí, do petróleo e gás adicional de Urucu/Coari e Silves, e pelo potássio de Autazes. Estas atividades geram salários e benefícios para um contingente percentualmente modesto de postos de trabalho, e a maior parcela da receita é destinada a fornecedores de insumos, equipamentos e lucros, todos beneficiários externos.
O aproveitamento pela indústria da ZFM de alguns elementos florestais como, por exemplo: cacau, borracha, curauá e castanha, é incipiente e precisa de incentivos fiscais; por isso, não podem ser classificados como NME. Devem ser desativadas junto com o PIM.
Uma alternativa para desenvolver o estado seria a adoção de uma política permanente que interrompa o êxodo, através da capacitação, assistência e fomento da produção local, com garantia de compra, de escoamento e de distribuição inclusive para o exterior. Não se pode esperar ações da atividade privada por serem da competência exclusiva do poder público, mas certamente elas viriam somar para um novo ciclo de prosperidade.
Podem haver outras alternativas. O interior do Amazonas continua à espera.
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