Após carta golpista de Flávio, partidos e até aliados defendem resultado das urnas
O senador fugiu do Brasil nessa terça-feira, 26, após derrota nas urnas e à determinação de Alexandre de Moraes para que entregasse os seus passaportes
Por Rogeslane Nunes
Notícia
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Publicado às 13:06, 29/10/2026
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Após publicação de carta com teor golpista na quarta-feira, 28, pelo ex-presidenciável e derrotado nas urnas senador Flávio Bolsonaro (PL), partidos, aliados e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, reconheceram a legitimidade do resultado do 2° turno, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um 4° mandato.
Os partidos União Brasil, PSD, MDB, PSDB, PT, PC do B, PV, PSB, Psol, Rede e PDT defenderam o resultado das urnas no domingo, 25.
O União Brasil, por exemplo, da base aliada bolsonarista, publicou nota assinada pelo presidente nacional, Antônio Rueda, na quarta-feira. O partido afirmou que a democracia é "um valor inegociável". No documento, destaca que "a eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o resultado deve ser respeitado".
O PSDB, adversário histórico do PT, também se manifestou. Os tucanos disseram ser "compreensível o comportamento do derrotado à Presidência da República", em nota assinada pelo presidente da sigla, Aécio Neves.
Apesar disso, destacou que "o exercício da oposição numa democracia é tão relevante quanto o exercício dos próprios governos. E ela deve se dar em território nacional, fiscalizando os atos do governo", diz o texto publicado nas redes sociais.
Por meio de nota, o presidente do TSE afirmou que as eleições do último domingo ocorreram "dentro da mais absoluta normalidade" e que foram "as mais inclusivas da história da República". O ministro Kassio Nunes também disse que "todos os questionamentos feitos dentro do devido processo legal serão analisados e respondidos".
Aliados de Flávio defendem resultado
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do senador, disse por meio de nota entender a "indignação" e a "revolta" de Flávio, mas que "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".
O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia
Tarcísio de Freitas
Governador de São Paulo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o presidente do Brasil é "aquele que o TSE declarou eleito". A declaração foi dada em resposta ao Estadão, após o senador Flávio Bolsonaro dizer, na primeira versão de uma carta golpista, que era o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
O senador Rogério Marinho (PL), líder da oposição no Senado e então coordenador da campanha eleitoral de Flávio à Presidência, reconhece que não tem provas para sustentar a posição de que teria ocorrido fraude nas eleições, hipótese levantada pelo ex-presidenciável na carta. "O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer, porque não há provas nesse sentido".
Governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) publicou um vídeo nas redes sociais, com a legenda "a eleição passou. O Brasil continua". O ex-presidenciável destacou que fica a lembrança dos milhões que votaram por uma mudança nas eleições do último domingo. Ele não fez referência direta à saída de Flávio do país ou à carta.
Em entrevista ao partir para uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente nacional do PL Valdemar Costa Neto foi questionado sobre a carta e se limitou a responder "não gostei".
Renan Santos diz que sabia que Flávio fugiria
Já o ex-candidato a presidente, Renan Santos (Missão), tratou diversas vezes da questão. Ele disse em vídeo que tinha avisado antes que o caminho natural do senador, ao ser derrotado, era fugir do Brasil.
Em outra publicação, afirma que o ex-candidato irá "usar o dinheiro desviado do filme do pai dele, Dark Horse, para viver uma vida boa fora do país".
Sobre a carta golpista, Renan fez vídeo ironizando a ação e também se declarando presidente, dizendo ainda que primeiro ato do novo mandato será acabar com lombadas de trânsito.
Carta golpista de Flávio
O senador Flávio Bolsonaro publicou uma carta com teor golpista na rede social X, na qual se dirigia ao povo brasileiro como o "verdadeiro presidente eleito". Passados alguns minutos, o político alterou esse trecho do documento, substituindo por "líder do Brasil" e publicando novamente.
Sem reconhecer o resultado do segundo turno das eleições gerais de 2026, realizado no domingo, 25, o "filho 01" do ex-presidente Bolsonaro acusou, sem apresentar provas, que viu "uma fraude eleitoral". Argumento é rechaçado por órgãos, opositores e aliados dele.
Na carta, Flávio cita a prorrogação do horário de votação no segundo turno, que passou de 17h para às 19h, por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora critique a determinação, a campanha do ex-presidenciável também pediu a ampliação do horário para que eleitores pudessem votar em estados que enfrentaram problemas na eleição.
A equipe de Lula alegou problemas de transporte público em algumas cidades, especialmente da Bahia, enquanto a equipe bolsonarista apontou que fortes chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia prejudicaram o deslocamento de eleitores em cidades do Sul e do Sudeste.
"Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível", diz Flávio na carta.
Segundo o TSE, apenas 35 mil votos foram registrados após às 17 horas. A diferença entre Lula e Flávio superior a 4,4 milhões de votos a favor do petista.
Também na carta publicada, o senador se dirigiu aos aliados e disse que comandará a oposição ao governo Lula direto dos Estados Unidos.
"Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui", escreveu.
Flávio fugiu do Brasil
Derrotado nas urnas, o senador fugiu do País nessa terça-feira, 27. No trajeto, rumo aos Estados Unidos, o senador entrou por terra na Argentina, embarcou em voo particular, parando no Equador para abastecer e seguindo, por último, para Miami, na Flórida, com sua esposa e filhas.
Ele deixou o Brasil em meio a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que ele entregasse à Polícia Federal os seus passaportes e não deixasse o território brasileiro. As ordens foram descumpridas e seus passaportes comum e diplomático foram cancelados.
A decisão de Moraes contra o senador ocorreu ainda no domingo, 25, em processo que Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são alvos de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema que envolveria empresas do advogado e plataformas de aposta. Ele também é investigado em inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse.
Outro peso para a medida teria sido a fala de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que encontra-se também nos Estados Unidos desde 2025. O ex-parlamentar foi condenado pela Suprema Corte por tentar interferir no julgamento de seu pai, condenado por tentativa de golpe de Estado.
Em podcast no fim de outubro, nos EUA, Eduardo disse: "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza".
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