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Absorvente feito de juçara? Pesquisa maranhense cria produto biodegradável e de baixo custo
<p><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://www.imirante.com/sao-luis"><strong>SÃO LUÍS</strong></a> – Pesquisadoras do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) desenvolveram um absorvente íntimo biodegradável a partir de fibras retiradas das sementes de juçara, fruto conhecido como açaí em outras regiões do Brasil. A iniciativa busca transformar resíduos que normalmente seriam descartados em um produto de higiene menstrual de baixo custo e menor impacto ambiental.</p><p>A pesquisa foi realizada pelas estudantes Sabrina Mendes e Haylana Lima, do curso técnico em Meio Ambiente do IFMA, sob orientação da professora Laurinda Siqueira, do campus São Luís – Centro Histórico. O trabalho faz parte de um programa de iniciação científica voltado a alunos do Ensino Médio.</p><ul><li><a target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9fyb7ADTOGmgNGLn3n"><strong>Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp</strong></a></li></ul><p>O projeto conquistou o 3º lugar no Prêmio Fapema 2026, na categoria Pesquisador Júnior, e resultou em um pedido de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).</p><h2>Absorvente feito de juçara apresenta resultados promissores</h2><p>Para desenvolver o absorvente, as pesquisadoras utilizaram fibras das sementes de juçara, fruto bastante consumido no Maranhão. O material passou por tratamentos químicos para melhorar sua capacidade de absorver líquidos.</p><p>Segundo a professora Laurinda Siqueira, doutora em Química, os testes avaliaram a absorção, a resistência à água e a capacidade de decomposição do material.</p><p>Em um dos experimentos, realizado com uma solução que simulava a consistência do sangue, o absorvente conseguiu reter 3,57 vezes o próprio peso seco em líquido.</p><p>O resultado ficou acima dos índices apresentados em estudos com outras fibras naturais, como algodão (0,84), cânhamo (1,40) e linho (1,57).</p><p>Outro resultado importante foi a capacidade de decomposição. Nos testes, o material apresentou redução de até 92% de sua massa em 90 dias, em temperatura ambiente. Também se desintegrou rapidamente quando colocado em água sob agitação.</p><p>Os resultados indicam potencial para o desenvolvimento de uma alternativa biodegradável aos absorventes descartáveis convencionais.</p><h2>Pesquisa pode contribuir para combater a pobreza menstrual</h2><p>Além dos benefícios ambientais, o projeto pode ajudar a enfrentar a pobreza menstrual, problema que afeta pessoas sem acesso adequado a absorventes, instalações sanitárias e informações sobre higiene menstrual.</p><p>Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 15% das adolescentes brasileiras de 13 a 17 anos deixaram de frequentar a escola por pelo menos um dia, ao longo dos 12 meses anteriores ao levantamento, por falta de absorvente.</p><p>Nesse cenário, o desenvolvimento de produtos de higiene menstrual mais acessíveis pode contribuir para ampliar o acesso a itens essenciais durante o período menstrual.</p><p>A pesquisa também apresenta uma possibilidade de aproveitamento das sementes de juçara, geralmente descartadas após o consumo do fruto. A utilização desse material pode estimular novas atividades produtivas no Maranhão e agregar valor a um recurso natural da região.</p>
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