Casa Magnólia fecha em Ipanema meses após estreia e planeja abrir restaurantes na Tijuca e na Barra
Pouco mais de nove meses após chegar a Ipanema, a Casa Magnólia fechou as portas no bairro. Segundo a colunista Luciana Froes, os sócios Duda e Fábio Dupin, que comandam outras cinco operações no Rio, planejam abrir duas novas unidades da marca: uma na Barra da Tijuca, no Barra Shopping e outra na Tijuca, onde o endereço ainda não foi divulgado. As casas manterão o mesmo nome e o cardápio de inspiração retrô. Para 2027, os empresários também preparam a abertura do La Candela no imóvel onde funcionava o antigo restaurante Gero.
Inaugurada em abril de 2026, na Rua Garcia d’Ávila, 151, a Casa Magnólia chegou ao bairro com a proposta de recuperar receitas clássicas da gastronomia carioca, inspiradas em endereços tradicionais como o Álvaro’s e o Café Lamas.
O fechamento acontece em uma das áreas comerciais mais valorizadas do Rio, onde os gastos com aluguel e impostos podem pesar no orçamento de lojistas e restaurantes. Os sócios, no entanto, não confirmaram publicamente o motivo da saída.
Em ruas como a Garcia d’Ávila, lojas de rua podem ter aluguéis de R$ 300 a R$ 400 por metro quadrado, segundo anúncios publicados no ZAP Imóveis. Os preços variam conforme o endereço, o tamanho e as condições do imóvel.
A valorização da região também aparece em levantamentos internacionais. Na edição de 2025 do estudo Main Streets Across the World, da consultoria Cushman & Wakefield, a Rua Garcia d’Ávila ficou na 29ª posição entre os corredores comerciais mais caros das Américas. O aluguel de referência chegou a 784 euros por metro quadrado ao ano, uma alta de 20% em relação ao levantamento anterior.
Aluguéis altos já afastaram grandes marcas de Ipanema
A Garcia d’Ávila já perdeu grandes marcas em meio aos custos elevados de ocupação. Em março de 2025, o DIÁRIO DO RIO informou que os aluguéis de lojas desocupadas na rua poderiam chegar a R$ 150 mil por mês. Entre os casos citados estava o da Louis Vuitton, que deixou um imóvel cujo aluguel girava em torno desse valor, além de mais de R$ 18 mil mensais de IPTU e luvas de R$ 1,5 milhão previstas para contratos de cinco a dez anos.
Os restaurantes também sentem o peso das despesas. Em junho de 2026, o Bistrô Didier, do chef francês Didier Labbé, fechou após quase três anos na Rua Vinicius de Moraes. O chef disse que pagava R$ 25 mil mensais de aluguel por um imóvel de cerca de 70 metros quadrados. Ele tentou renegociar o contrato, mas não chegou a um acordo com o proprietário.
Outro caso foi o do restaurante asiático Si-chou, que encerrou as atividades em 2025. Na ocasião, o chef Elia Schramm afirmou que o aluguel e o IPTU somavam cerca de R$ 70 mil por mês. Segundo ele, o estabelecimento precisava faturar mais de R$ 1 milhão mensais para cobrir os custos.
Já na Casa Magnólia, com o fechamento em Ipanema, a expectativa fica para a abertura das novas unidades na Barra da Tijuca e na Tijuca.
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Jornalista de gastronomia, cultura e cidade. Movida por histórias que nascem no cotidiano.
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