Rio de Janeiro concentra quase um terço dos casos de exercício ilegal da medicina no país
O Estado do Rio de Janeiro responde por quase um terço de todas as denúncias e casos registrados de exercício ilegal da medicina e invasão do ato médico no Brasil. Os dados foram consolidados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) em cooperação com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).
O cenário fluminense é impulsionado pela proliferação de anúncios e propagandas de procedimentos estéticos invasivos de baixo custo em redes sociais, frequentemente realizados em clínicas clandestinas e consultórios sem alvará de localização ou licença da Vigilância Sanitária.
De acordo com o Dossiê elaborado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil lidera as notificações globais de complicações graves decorrentes de intervenções estéticas com o uso inadequado de substâncias como ácido hialurônico e polimetilmetacrilato (PMMA).
Mapeamento das Complicações Clínicas de Urgência
Nos consultórios dermatológicos e de cirurgia plástica da capital fluminense, a situação atingiu níveis críticos. Especialistas relatam que 8 em cada 10 casos de intercorrências graves atendidos em caráter de emergência são oriundos de procedimentos executados por não médicos ou em estabelecimentos irregulares.
Os prontuários de urgência registram um quadro severo de lesões físicas e sequelas funcionais irreversíveis provocadas pela falta de conhecimento anatômico dos aplicadores:
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Necrose tecidual por oclusão vascular: 63% dos casos registrados;
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Infecções graves e abscessos faciais: 18% das ocorrências;
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Deformidades, granulomas e reações inflamatórias tardias: 12% dos atendimentos;
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Perda visual (cegueira) por oclusão da artéria oftálmica: 7% dos pacientes afetados.
Alerta Médico e Recomendações de Segurança
A cirurgiã plástica Cecília Ruiz adverte para os riscos associados às promoções com valores incompatíveis com o mercado e à banalização de intervenções injetáveis:
"O apelo do preço baixo atrai pacientes que desconhecem que preenchimentos e procedimentos injetáveis são atos médicos privativos, que exigem profundo conhecimento anatômico para evitar tragédias como a necrose e a oclusão de vasos que podem levar à cegueira. O impacto físico e psicológico dessas intervenções irregulares sobrecarrega a rede de saúde e transforma o que era para ser um ganho estético em uma emergência médica complexa", ressalta a especialista.
Diante do avanço do problema de saúde pública, entidades médicas orientam que o paciente adote três etapas fundamentais antes de realizar qualquer procedimento:
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Checagem de Registro Profissional: Consultar o site oficial do CREMERJ para confirmar se o profissional possui CRM ativo e Título de Especialista (RQE) em Cirurgia Plástica ou Dermatologia;
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Fiscalização do Ambiente: Exigir que a clínica apresente licença sanitária visível e estrutura mínima para suporte de emergências;
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Avaliação dos Insumos: Desconfiar de preços substancialmente abaixo da média de mercado, indicativo de uso de insumos não autorizados pela Anvisa ou de procedência clandestina.
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