DEU RUIMFrustrado com derrota de Flávio, presidente da CBF evita audiência no STF sobre Bets Presidente da CBF será representado por advogado em audiência convocada por Luiz Fux para discutir o futuro das casas de apostas esportivas no Brasil; decisão ocorre em meio a mudanças no cenário político da entidade.
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud, decidiu não comparecer pessoalmente à audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a medida provisória do governo federal que determinou o encerramento das operações das casas de apostas esportivas no Brasil. O encontro está marcado para 3 de novembro, às 10h. A entidade enviará um advogado para representá-la.
A ausência ocorre em um momento de enfraquecimento político de Samir Xaud, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações do jornalista Diogo Dantas, publicadas pelo jornal O Globo, o dirigente esperava outro resultado nas eleições presidenciais para ampliar sua influência administrativa e política dentro da CBF.
Traduzindo: Xaud apostava em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para abrir caminho a mudanças na estrutura de poder da confederação. O presidente da entidade pretendia reduzir a influência de um grupo de dirigentes com conexões políticas em Brasília e conquistar maior autonomia para conduzir a administração do futebol brasileiro.
A avaliação de representantes de clubes era de que a participação pessoal de Xaud na audiência poderia provocar constrangimentos. Isso porque o dirigente havia se posicionado contra uma reunião com o Ministério do Esporte, que buscava discutir alternativas para o setor de apostas antes das eleições presidenciais.
Enfraquecimento político e planos frustrados
A mudança no cenário eleitoral frustrou os planos atribuídos a Samir Xaud. Entre os nomes associados a essa articulação está Francisco Mendes, vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol e filho do ministro Gilmar Mendes, do STF. Ele é apontado como uma das figuras influentes no grupo político que mantém relações com a estrutura de poder da confederação.
Interlocutores da CBF relatam que Xaud considerava assumir maior controle das decisões administrativas. Além disso, o dirigente buscava construir condições políticas para disputar uma eventual reeleição à presidência da entidade.
Para avançar nesse projeto, seria necessário diminuir a influência do grupo ligado a Brasília. Nesse contexto, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e possíveis mudanças na composição do Supremo eram vistas como fatores que poderiam favorecer uma reorganização interna.
Entretanto, a reeleição de Lula alterou as perspectivas. Segundo a publicação, Xaud passou a enfrentar resistência no governo federal, enquanto o grupo que pretendia afastar continua influente nos bastidores do futebol brasileiro.
Audiência sobre casas de apostas e impacto nos clubes
A audiência pública convocada por Luiz Fux tem como objetivo examinar os questionamentos jurídicos apresentados contra a medida provisória do governo Lula que determinou o encerramento das atividades das casas de apostas esportivas no país.
Relator das ações que contestam a constitucionalidade da iniciativa, Fux recebeu questionamentos apresentados pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
A discussão interessa diretamente aos clubes brasileiros que mantêm contratos comerciais e de patrocínio com empresas do setor. Afinal, uma eventual restrição às operações dessas companhias pode comprometer receitas importantes para o planejamento financeiro das equipes.
Entre os convidados para o encontro estão representantes de Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e São Paulo. O Palmeiras também deve participar da discussão.
Além dos clubes, a audiência contará com representantes da Procuradoria-Geral da República, do Ministério da Fazenda, da CBF e de organizações ligadas aos setores de apostas, comércio e indústria.
Os clubes pretendem defender a ampliação do prazo de transição para o encerramento das atividades das empresas de apostas, caso a medida provisória continue em vigor.
A principal preocupação envolve os contratos de patrocínio firmados com operadoras do segmento. Para várias equipes, essas parcerias representam uma fonte relevante de recursos para custear despesas, manter investimentos e estruturar o planejamento esportivo.
Segundo a reportagem, dirigentes consideram que a decisão ocorreu de maneira abrupta, durante o período eleitoral, sem oferecer tempo suficiente para que os clubes reorganizassem suas receitas comerciais.
Parte das equipes também questiona a motivação eleitoral da medida. Nesse cenário, a reeleição de Lula passou a integrar as expectativas de dirigentes que aguardam uma possível revisão da política federal para o setor.
Caso o governo não revogue a medida provisória, os clubes devem insistir na concessão de um período maior de adaptação. O objetivo é evitar que o encerramento das operações das empresas provoque perdas imediatas nos acordos comerciais em andamento.
Contexto político e investigações em Roraima
As dificuldades políticas atribuídas a Samir Xaud no cenário nacional ocorrem paralelamente às movimentações do dirigente em Roraima, seu estado de origem.
Em 2025, o presidente da CBF foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investigava suspeitas de compra de votos no estado. Posteriormente, a Justiça suspendeu a investigação.
Na eleição mais recente, Xaud também participou de campanhas eleitorais de familiares. Conforme informações publicadas na coluna de Diogo Dantas, o dirigente pretende retornar a Roraima para retomar suas atividades políticas.
A proximidade com Flávio Bolsonaro e a participação nas articulações eleitorais passaram a fazer parte do contexto das disputas internas da CBF. Com Lula novamente na Presidência da República, o cenário político que Xaud esperava encontrar para ampliar sua autonomia na entidade acabou sendo alterado.
Ver nota original ↗
¿Querés un resumen rápido de esta noticia, hecho por nuestra IA?
