2º Fórum Sicredi EmpreenderPará registra alta de 23,1% no crédito para empresas; veja os setores em destaque Quase 30 milhões de brasileiros são empreendedores, com destaque para a classe C. O 2º Fórum Sicredi Empreender discutiu os desafios e o impacto econômico dos pequenos negócios no país.
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Cerca de 29,8 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais são empreendedores e quase metade deles está concentrada na classe C. São 14,3 milhões de pessoas, equivalentes a 48% do total. Quando consideradas as classes populares, o contingente chega a 17,4 milhões. Os números ajudam a dimensionar um empreendedorismo que cresce principalmente entre brasileiros que precisam administrar negócios e renda familiar em um cenário de orçamento apertado.
Fórum Sicredi Empreender debate desafios do setor
Esses dados, de maneira compilada, foram apresentados durante o 2º Fórum Sicredi Empreender, realizado em 16 de setembro, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O encontro reuniu especialistas, empresários e representantes de instituições financeiras e de apoio aos pequenos negócios para discutir crédito, tecnologia, mudanças no mercado de trabalho e os desafios enfrentados por quem empreende no país.
No Pará, dados divulgados pelos organizadores, apontam aumento da participação dos empreendedores no Estado. A carteira de crédito da instituição para pessoas jurídicas passou de R$ 1,6 bilhão, em julho do ano passado, para R$ 1,996 bilhão em julho deste ano, um crescimento de 23,1%. A alta foi superior à registrada pela carteira total de crédito no estado, que avançou 14,5%, de R$ 5,213 bilhões para R$ 5,971 bilhões no mesmo intervalo.
Desigualdade de renda e o perfil do empreendedor
O fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, apresentou um retrato da desigualdade de renda para explicar quem é boa parte desse empreendedor. Segundo os dados mostrados durante o evento, metade das famílias brasileiras possui renda mensal de até R$ 2.394. Entre os 10% de maior renda, o valor familiar chega a R$ 8.142 ou mais; nos 5% de maior renda, parte de R$ 11.941; e, entre o 1% no topo da distribuição, alcança pelo menos R$ 37.995.

Para Meirelles, compreender essas diferenças é fundamental para analisar a relação dos brasileiros com dinheiro, crédito e empreendedorismo. “Existe amor no Excel. Nós temos que olhar para esses números, gráficos e estatísticas, em um país tão desigual como o nosso, com esse olhar de quem está olhando para as pessoas”, afirmou.
O pesquisador também ponderou sobre a ideia de que a população de menor renda simplesmente não possui educação financeira. Na avaliação dele, é preciso considerar o esforço necessário para administrar um orçamento reduzido. “Eu tenho uma dificuldade em dizer que um pai ou uma mãe de família que sustenta uma família com R$ 2 mil não tem educação financeira. Gerir uma família com esse orçamento é um ato de extrema capacidade”, disse. “É óbvio que o brasileiro tem dificuldade em guardar dinheiro, porque o brasileiro tem dificuldade em ganhar dinheiro”, acrescenta.
A mudança na relação com o trabalho também ajuda a explicar a expansão do empreendedorismo. Segundo Meirelles, a fronteira entre empreender por necessidade e por oportunidade nem sempre é clara. Uma atividade pode começar apenas como fonte complementar de renda e, gradualmente, transformar-se no principal trabalho. “Muitas vezes o negócio começa com um bico, e ele vai descobrindo aos poucos que aquele bico dá mais”, explicou.
Pequenos negócios e o papel do Sicredi
O diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, César Bochi, destacou que mais de 24 milhões de empreendimentos brasileiros são pequenos negócios. Segundo ele, essas empresas respondem por mais de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais da metade dos empregos formais do país. Apesar do peso econômico, enfrentam um ambiente marcado por juros elevados, falta de mão de obra, mudanças tributárias, necessidade de aumento da produtividade e transformação tecnológica.
Bochi também chamou atenção para o endividamento das famílias e para o avanço das apostas on-line. Segundo ele, bilhões de reais que poderiam circular em outras atividades econômicas são direcionados às plataformas, em um cenário no qual parte dos brasileiros já compromete parcela relevante da renda com dívidas. “O empreendedor precisa efetivamente conseguir ter uma rede de apoio que gere confiança para conseguir se desenvolver”, afirmou.
No Pará, entre os segmentos empresariais atendidos pelo Sicredi, o comércio varejista de vestuário e acessórios aparece com 2.785 associados, seguido por minimercados, mercearias e armazéns, com 2.271. Restaurantes e similares somam 1.379; o comércio de materiais de construção, 1.351; e o de peças e acessórios para veículos, 1.280. Ao todo, são 52.722 associados pessoas jurídicas no estado, que representam 14,3% dos 367.926 associados.
Desafios do empreendedorismo feminino
Para as mulheres, os obstáculos se acumulam. A coordenadora nacional do Sebrae Delas, Renata Malheiros, afirmou que, além das dificuldades de acesso ao crédito, as empreendedoras enfrentam preconceito e sobrecarga entre o negócio e as atividades domésticas. Segundo pesquisa do Sebrae citada por ela, mulheres empreendedoras têm 17% menos horas disponíveis que os homens e dedicam o dobro do tempo às tarefas domésticas. “Ou seja, faltam políticas públicas, universalização de crédito, escolas integrais e apoio”, afirmou Renata.

Fundadora da Feira Preta e CEO do Instituto Feira Preta, Adriana Barbosa também destacou o impacto da ampliação das redes de apoio e do acesso ao crédito para mulheres. “O dinheiro que elas mobilizam nos novos negócios não se finda nelas, vai para a família, o entorno e a sociedade”, afirmou.

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