O Tempo
29/10/2026 18:30

Ex-Codemig e Codemge Thiago Toscano aceita convite de Cleitinho para área econômica

O economista Thiago Toscano, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), vai integrar o secretariado do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) a partir de janeiro de 2027. Ele aceitou o convite nesta quinta-feira (29/10), depois de se reunir com o governador eleito e com o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos). Toscano deve ficar com uma pasta voltada ao desenvolvimento econômico, à gestão e à atração de investimentos. 

O convite partiu de Falcão. Em entrevista a O TEMPO, Toscano contou que conhece o vice de longa data e que foi ele quem fez a ponte com Cleitinho. “Recebi com orgulho. Na verdade, eu já tenho uma relação longa com o vice-governador, o Falcão, desde a época da Invest Minas. Quando ele venceu, ele perguntou se eu podia ajudar, eu falei que estava à disposição, e aí ele me apresentou ao governador eleito”, relatou.

Para aceitar, Toscano precisou sair da presidência da mineradora Itaminas, cargo que ocupa desde maio de 2024. “Conversei com os sócios da Itaminas sobre o convite e acabamos entendendo que era bom, que era importante para a carreira”, afirmou.

Estrutura da pasta ainda está em aberto

A “supersecretaria” deve reunir a área econômica, a gestão, novos negócios e a atração de investimentos. Toscano, porém, disse que o desenho da pasta ainda não foi fechado e que o novo governo pode reorganizar a estrutura do Estado por causa da situação fiscal.  

“O governo começou a transição agora, então existe uma ideia de rever a estrutura, até em função das contas públicas hoje. Mas o que existe é a intenção dos temas ligados ao desenvolvimento econômico, à parte de gestão pública. Então, vai ser algo ligado à atração de investimento, essa parte que foi desenvolvida nos últimos anos”, explicou.

O futuro secretário disse também que ainda não discutiu uma agenda com Cleitinho. “A gente não teve nem oportunidade de falar disso. É óbvio que, como eu conheço o Estado, eu tenho muitas ideias e um conceito do que o Estado precisa fazer. Eu apenas compartilhei com o governador, e a partir de agora a gente começa a montar isso”, declarou.

Ajuste fiscal e crescimento sem aumento de impostos
Toscano defendeu uma gestão “dupla”: um ajuste fiscal no curto prazo e uma agenda de atração de investimentos para fazer a arrecadação crescer. “O governador já fala da questão da dívida, então esse é um assunto relevante para o Estado. Mas, além disso, a gestão tem que ser dupla. É uma gestão de curto prazo para poder fazer um ajuste fiscal. Tem um déficit estimado de R$ 10 bilhões para o próximo ano”, disse.

Ele lembrou que já cuidou do orçamento estadual e do da capital. “Fui subsecretário de Planejamento e Orçamento do Estado, então conheço essa parte, e fiz isso também em Belo Horizonte. Tem um ajuste fiscal importante para fazer, mas acho que tem uma agenda propositiva muito boa para Minas Gerais, que é o que de fato vai transformar o Estado, porque está muito ligada à atração de investimentos, justamente para fazer crescer o Estado e a arrecadação sem ter que aumentar imposto”, afirmou.

As estimativas para o rombo mudam conforme a fonte. Logo depois de assumir a coordenação da transição, Falcão falou em um déficit projetado de quase R$ 10 bilhões, além da dívida com a União. 

Quem é Thiago Toscano

Toscano é formado em economia e ciências contábeis e tem pós-graduação em finanças e gestão pública. Foi subsecretário de Planejamento e Orçamento do governo de Minas, secretário adjunto de Planejamento e Orçamento da Prefeitura de Belo Horizonte, diretor da São Paulo Parcerias e presidente do Indi, atual Invest Minas, agência estadual de atração de investimentos. Seu currículo associa a ele a vinda de empresas como Amazon, Mercado Livre e Heineken para o Estado. 

Ele presidiu a Codemig e a Codemge de maio de 2021 a 30 de abril de 2024, quando saiu para comandar a Itaminas. Pouco antes, chegou a ser cotado para substituir Gustavo Barbosa na Secretaria de Fazenda do governo Romeu Zema (Novo). Ele também dá aulas na Fundação Dom Cabral desde 2011. 

O papel de Falcão na montagem do governo

A escolha de Toscano mostra o peso de Falcão na montagem da equipe. Na semana do primeiro turno, o vice foi oficializado como coordenador da transição pelo Decreto nº 49.296, que diz que ele foi escolhido “conforme indicação feita pelo Governador eleito”. Pelo decreto, cabe a Falcão indicar os integrantes da comissão.  

O protagonismo vem desde a campanha. Em agosto, Cleitinho delegou a Falcão a coordenação de agendas, reuniões e apoio político. Depois da vitória, disse a O TEMPO que o vice terá função executiva e vai comandar uma secretaria. Bruno Westin, cotado para a Fazenda, disse que a formação do secretariado cabe a Cleitinho e a Falcão.

Falcão é bacharel em direito, empresário e foi prefeito de Patos de Minas por dois mandatos consecutivos. Em 2025, foi eleito presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e saiu do Novo para manter a entidade apartidária. 

Toscano disse que vê no vice uma combinação de político e técnico. “Toda gestão pública tem que ter a parte política e a parte técnica. Não tem jeito de ser só um ou só o outro. Como você tem um governador com um histórico e uma experiência política muito boa e o vice-governador que, além de político, é um técnico muito bom, eu, sendo técnico, fico satisfeito de ver, porque acho que o Estado precisa é de gestores técnicos que tenham certa afeição com a política também. Acho que é a maneira correta de montar o governo. Por isso aceitei o convite”, afirmou.

“Time técnico” e outros nomes

O anúncio veio um dia depois da confirmação de Otto Levy na Cemig. Levy foi secretário de Planejamento e Gestão do primeiro governo Zema, de janeiro de 2019 a abril de 2021. Ao divulgar a escolha, Cleitinho escreveu: “Falei que meu time será técnico”.  

Logo após a eleição, o governador eleito disse que aceitaria indicações partidárias de nomes qualificados, mas afirmou: “O que eu não vou fazer é barganha com o secretariado”. Gabriel Azevedo (MDB), adversário de Cleitinho no primeiro turno, também aceitou integrar o futuro secretariado, ainda sem pasta definida. A posse está marcada para 6 de janeiro de 2027.

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