Celulose poderá se tornar um dos principais produtos exportados pelo RS até 2030
A celulose e as pastas derivadas dela formam, atualmente, o oitavo grupo de produtos mais exportados pelo Rio Grande do Sul, com cerca de US$ 1 bilhão comercializado com o exterior a cada ano. Em 2025, foram US$ 907.686.555 vendidos a outros países a partir do Estado. E uma nova fábrica da CMPC, prevista para ser instalada em Barra do Ribeiro, poderá transformar o produto no quarto item mais vendido para outros países pelos gaúchos.
“Quando a fábrica estiver em plena produção, deverá dobrar as exportações atuais. Então, daria para dizer que se tornaria o quarto setor entre as exportações gaúchas. Hoje, o principal produto exportado é a soja, com US$ 3,5 bilhões. Depois, o tabaco, com US$ 3 bilhões. Em terceiro lugar, tem as carnes, que somam US$ 2,4 bilhões. O quarto, hoje, são os resíduos alimentares, que representam US$ 1,4 bilhão. No momento em que as exportações de celulose dobrarem, chegando em torno de US$ 2 bilhões, assumiriam essa posição”, projeta o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Luciano D’Andrea.
A mesma perspectiva é compartilhada pelo pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS) Sérgio Leusin Júnior. “Dá para dizer que o aumento deverá ser na proporção 1:1. A produção da CMPC, hoje, está em torno de 2 milhões de toneladas por ano. E a exportação está nesse mesmo nível. É possível afirmar que 90% da celulose produzida é exportada. Tranquilamente, deverá duplicar o volume produzido e exportado, com a nova fábrica . Então, pode ser em torno de US$ 1 bilhão a mais em exportações de celulose quando a fábrica estiver em plena produção”, explica o especialista.
O principal mercado internacional da celulose gaúcha é a China, responsável por cerca de 30% das transações. “Desde 2015 o país vem com uma participação bastante consistente”, avalia o pesquisador. Na Ásia, a Coreia do Sul também representa um importante mercado consumidor. Outros destinos relevantes são os Estados Unidos, a União Europeia e os Emirados Árabes Unidos.
Atualmente, a CMPC produz cerca de 2,4 milhões de toneladas de celulose por ano em Guaíba. A isso se somam outras 2,5 milhões de toneladas de capacidade produtiva previstas para a planta de Barra do Ribeiro, que recebeu licença ambiental prévia em 23 de outubro. O Projeto Natureza, do qual a fábrica faz parte, representa o maior investimento já anunciado por uma empresa privada no Rio Grande do Sul, com aporte de R$ 27 bilhões. A expectativa é de que a indústria inicie as operações até 2030.
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