Direita quer reverter regularização de imigrantes feita por governo socialista na Espanha

Santiago Abascal, líder do Vox. (Foto: Pedro Puente Hoyos/EFE)
O partido de direita nacionalista Vox, liderado por Santiago Abascal, pretende reverter a regularização de quase 1,2 milhão de imigrantes promovida pelo governo socialista de Pedro Sánchez na Espanha. A proposta faz parte de um plano para endurecer as políticas migratórias do país, que inclui deportações em larga escala e restrições ao acesso de estrangeiros a benefícios sociais. As medidas poderão entrar nas negociações para a formação de um novo governo após as eleições gerais de 29 de novembro.
Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal britânico Financial Times, o Vox pretende negociações com o Partido Popular (PP), de centro-direita, que lidera as pesquisas eleitorais, para exigir mudanças profundas na legislação migratória espanhola. A legenda de Abascal aparece com 18% a 19% das intenções de voto e poderá ser necessária para a formação de uma maioria parlamentar. Uma das principais medidas na mira do partido é o programa extraordinário de regularização de imigrantes lançado por Sánchez em abril. A iniciativa recebeu 1.174.978 solicitações até o encerramento do prazo, em 30 de junho, mais que o dobro das 500 mil pessoas inicialmente estimadas pelo governo.
O programa permite que estrangeiros que já estavam na Espanha antes de janeiro de 2026 e comprovem pelo menos cinco meses de residência solicitem autorização para morar e trabalhar legalmente no país, desde que cumpram os requisitos estabelecidos, incluindo a ausência de antecedentes criminais.
Questionado sobre a possibilidade de manter as autorizações concedidas pelo governo socialista, Abascal afirmou ao jornal espanhol La Razón que algumas decisões poderão ser revertidas. O líder do Vox defende a revisão das regularizações e a expulsão de estrangeiros que tenham entrado ilegalmente no território espanhol ou cometido crimes. O partido também propõe a chamada "remigração", política que prevê a saída de estrangeiros considerados sem condições de integração, incluindo residentes legais que dependam de assistência pública e não exerçam atividade profissional.
Em entrevista publicada pelo Financial Times, Abascal acusou Sánchez de transformar a Espanha em um destino privilegiado para a imigração ilegal. Segundo ele, o crescimento da população estrangeira tem pressionado o sistema de saúde, a oferta de moradias e os serviços públicos.
Sánchez antecipou as eleições gerais, inicialmente previstas para 2027, para o dia 29 de novembro. O premiê socialista anunciou a convocação das eleições no início deste mês, em meio a dificuldades de seu governo, que lidera a Espanha com uma minoria, para aprovar medidas no Parlamento, protestos contra o custo das moradias e denúncias de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao governo socialista.
O Partido Popular, liderado por Alberto Núñez Feijóo, também se opõe à regularização em massa de imigrantes promovida por Sánchez.
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