Professora é afastada após defender violência sexual contra filhos de eleitores de Lula
Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)
Uma professora da rede municipal de ensino de Melgaço, no arquipélago do Marajó, no Pará, foi afastada das atividades após publicar mensagens nas redes sociais defendendo a violência sexual contra filhos de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso provocou indignação e levou a prefeitura a iniciar os procedimentos para uma possível rescisão contratual por justa causa.
A educadora foi identificada como Marinalva do Carmo Gomes, contratada temporariamente para trabalhar na Escola Municipal de Ensino Fundamental Gervásio Bandeira. As publicações começaram a circular após o segundo turno da eleição presidencial, realizado no último domingo (25), quando Lula foi reeleito.
Nas mensagens, a professora utilizou expressões ofensivas e fez referências explícitas à violência sexual contra crianças, associando os ataques à preferência política dos pais. A repercussão levou a Secretaria Municipal de Educação de Melgaço a divulgar uma nota oficial nesta quinta-feira (29), anunciando o afastamento imediato da servidora.
Segundo a secretaria, Marinalva foi retirada das atividades escolares enquanto são adotadas as providências administrativas para avaliar o encerramento do contrato. A pasta classificou as manifestações como incompatíveis com os princípios éticos e as responsabilidades exigidas dos profissionais da educação.

Mensagem teria mencionado torcida para que as crianças fossem estupradas

Sindicato pede investigação
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), por meio da representação municipal de Melgaço, também repudiou as declarações. A entidade afirmou que o posicionamento da professora não representa a categoria e viola princípios fundamentais de proteção às crianças e aos adolescentes.
Para o sindicato, o conteúdo das publicações contraria direitos assegurados pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de desrespeitar os deveres éticos da profissão. Diante da gravidade do episódio, o Sintepp cobrou a apuração dos fatos pelas autoridades competentes, incluindo o Ministério Público, o Conselho Tutelar e os órgãos de segurança pública.
Professora pede desculpas
Após a repercussão negativa, Marinalva divulgou uma nota nas redes sociais reconhecendo que errou e pedindo desculpas pelas declarações.
“Reconheço que me excedi em minhas palavras e que posso ter magoado e ofendido algumas pessoas”, afirmou.
A professora também se desculpou com os profissionais da escola onde trabalhava e com a Secretaria Municipal de Educação, manifestando arrependimento pelo episódio.
“Quero expressar meu arrependimento e dizer que lamento profundamente o ocorrido”, declarou.
Na manifestação, a educadora afirmou que pretende ter mais cuidado com suas palavras e atitudes para evitar novos episódios semelhantes. Além das consequências administrativas, o caso poderá ter desdobramentos criminais, caso as autoridades identifiquem indícios da prática de algum delito.
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