3Operação investiga desvio de R$ 5 milhões em recursos de festa do peão na região de Rio Preto
O Gaeco, grupo de promotores de Justiça especializado no combate ao crime organizado, fez uma operação na manhã desta terça-feira, 27, em Populina, para investigar suspeita de desvio de R$ 5 milhões em recursos públicos destinados à realização de uma festa de peão de boiadeiro na cidade. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em casas de suspeitos e na prefeitura de Populina.
De acordo com a apuração, o município financiou anualmente a festa durante a gestão do ex-prefeito Adauto Severo Pinto, de 56 anos, por meio de repasses a uma associação privada responsável pela organização do evento. O Ministério Público afirma que a entidade estaria formalmente em nome de outra pessoa, mas seria administrada, na prática, pelo então chefe do Executivo.
A suspeita é de que os custos da festa fossem pagos com dinheiro público, enquanto os lucros ficavam com o ex-prefeito, seus irmãos e outros apoiadores. Os investigadores também apuram a suposta emissão de notas fiscais frias por empresas ligadas aos envolvidos, sem a correspondente prestação de serviços ao município.
Segundo o Ministério Público, o período dos supostos desvios coincidiu com o aumento do patrimônio do ex-prefeito e de familiares, incluindo a compra de propriedades rurais. A origem dos recursos usados nessas aquisições também é investigada.
Durante o cumprimento de um desses mandados, policiais militares do Baep de Rio Preto prenderam em flagrante o ex-prefeito, por posse irregular de arma de fogo. Segundo o boletim de ocorrência, Adauto pagou fiança de cinco salários mínimos (cerca de R$ 8,1 mil) para ter direito a responder pelo crime em liberdade.
O revólver estava sem numeração de identificação aparente e, segundo o boletim, parecia antigo, apresentava oxidação avançada e estava em condições precárias de conservação. Questionado pelos policiais, Adauto informou que a arma pertenceria à família havia vários anos.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 5 milhões e a indisponibilidade de imóveis rurais suspeitos de terem sido adquiridos com recursos ilícitos. Durante as buscas, foram apreendidos dinheiro em espécie, notebooks, celulares, equipamentos eletrônicos e outros materiais de interesse da investigação. Os valores e as quantidades não foram informados.
A operação foi conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça, por sua Assessoria de Competência Originária e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Rio Preto. A ação teve apoio do 9º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Militar Ambiental e da Secretaria Estadual da Fazenda.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do ex-prefeito.
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